Editorial

25 de maio de 2011

A questão dos quilombolas

Esta edição tem três assuntos que merecem atenção: o Dia Mundial do Meio Ambiente, a questão dos quilombolas e o debate sobre o Código Florestal. Todos os três temas mexem com o comportamento, com o lado econômico e financeiro e com a vida. Mas nesta carta vou abordar a questão que envolve o elo mais fraco: os quilombolas e a democracia racial. Sempre aprendi que qualquer corrente tem a força de seu elo mais fraco. Não adianta todos os outros elos serem fortes, que ela se romperá. Assim, é importante discutir o tema do preconceito, dos direitos à terra, da negritude e da força da cultura negra. O 13 de maio foi e será sempre um marco a favor da luta pela igualdade racial. Mas esta é uma conquista que tem logo caminho a seguir. E toda vez que escrevo matéria sobre negritude, me convenço de algumas coisas:


1) Para começar qualquer mudança, temos que nos convencer que a sociedade é racista. A brasileira também. Felizmente não o é na intensidade de outros países, mas este racismo está até nos livros didáticos. E o MEC sabe disto.


2) A grande arma, a mais poderosa força para mudar e acabar com os preconceitos é a educação. Não existem leis no mundo que sejam capazes de erradicar atitudes preconceituosas na cabeça das pessoas. Só a cultura e a educação podem destruir os mitos de superioridade e de inferioridade existentes entre grupos humanos.


3) As escolas e as famílias devem estar preparadas para o desafio de enfrentar o racismo nas salas de aula e dentro de casa. Há que ter criatividade para buscar estratégias pedagógicas que conduzam a uma aceitação consciente de que a sociedade brasileira é plural.


4) A democracia racial nasce do respeito à diversidade. E esta diversidade é positiva, é um ganho que deu ao Brasil uma feição multiracial que o mundo admira. O Brasil é índio, negro, oriental, branco e mestiço. Isto é um grande diferencial a nosso favor.


5) Uma verdade que deve ser explicitada: o preconceito nada mais é do que um produto das culturas humanas. Isto porque algumas sociedades transformaram o preconceito em arma ideológica para legitimar e justificar a dominação de uns sobre os outros.


6) Segundo o professor Kabengele Munanga, da USP, para que haja mudança de atitude, “não basta a lógica da razão científica ensinar que, biologicamente, não existem raças superiores e inferiores. Como não basta a moral cristã dizer que perante Deus somos todos iguais”. A aceitação tem que ser consciente e vir de uma nova postura cultural e emocional conquistada.


Nesta questão, um ângulo que incomoda, porque é uma injustiça que tem sérias implicações sociais e econômicas: a situação dos quilombolas. As comunidades quilombolas estão sendo expulsas de suas terras e estão perdendo os meios e a força para reagir. A presidente Dilma Rousseff disse – e com razão – que a luta número um de seu governo é erradicar a miséria. Nesta agenda, uma constatação, segundo a ministra Luiza Helena Bairros : “No Brasil, a maioria das pessoas em situação de pobreza e miséria é da raça negra”.