EU VOU PRÁ CALIFÓRIA VIVER ENERGIA LIMPA

16 de novembro de 2015

Angelina Galiteva tem muito a oferecer ao Brasil

 
EU VOU PRÁ CALIFÓRIA VIVER ENERGIA LIMPA
Angelina Galiteva tem muito a oferecer ao Brasil
 
Iniciei esta semana com uma conversa de futuro. 
Hoje almocei com Angelina Galiteva.
Conheci pessoalmente esta técnica,que nasceu na Bulgária (como o pai da presidente Dilma)  mas ajuda a fazer uma revolução verde de primeira grandeza na Califórnia, estado norte-americano que, no ranking de desenvolvimento e riquezas, seria o NONO país do mundo. 
Angelina Galiteva está em Brasília para uma série de encontros e palestras; Ela segue nesta quarta-feira para Recife, onde visita o Parque dos Ventos (energia eólica) e faz conferência na Universidade de Pernambuco sobre energia renovável.
Galiteva é fundadora do Instituto Mundial de Politica Renewables 100 e membro da Diretoria de Desenvolvimento de Infraestrutura da Califórnia.
Durante almoço com Angelina Galiteva e diplomatas da Embaixada Norte-Americana, aprendi:
1) A Califórnia faz uma evolução tecnológica no desenvolvimento de energia limpas em redes inteligentes “smart grids”. Objetivo é promover eficiência energética com foco em energia solar e eólica.
2) Hoje a Califórnia gasta 30% de sua energia apenas na gestão dos recursos hídricos, ou seja, na movimentação da água: transposição de bacias, distribuição de água, tratamento de água, saneamento etc.
3) Placa de energia solar como é feita hoje vai estar logo obsoleta. A Califórnia já começa a construir casas que terão consumo nulo de energia. Os prédios começam a produzir sua própria energia pois tudo na casa (telhado, paredes, vidros, portas, janelas) serão conversores de energia solar em energia elétrica. O plano é que as novas casas construídas a partir de 2020 utilizem apenas energia renovável.
4) Califórnia desbanca Abu Dhabi e tem maior usina de energia solar do mundo. Complexo é capaz de abastecer 140 mil casas e deve evitar a emissão de 400 mil toneladas de CO2 por ano.
5) Produzir energia renovável e preservar o meio ambiente é a meta perseguida, explica Angelina Galiteva. O plano é ter, já em 2040, a Califórnia gerando 50% de sua produção de energia vindo da matriz renovável. A meta de ter, em 2020, 33% de sua energia renovável já chegou agora em 2015.
6) Pelo celular, em um aplicativo, Angelina acompanhava em tempo real toda a produção de energia renovável em relação ao consumo de energia na Califórnia. (12h30 em Brasília e 06h30 em Los Angeles). Muito interessante constatar o dia nascendo na Califórnia e a produção de energia solar aumentando a cada minuto. 
 
Saí do almoço viajando para muito além da música de Lulu Santos. O Brasil precisa ir pra Califórnia aprender a fazer a gestão da água, do lixo e aprender a produzir energia renovável.
 
Garota eu vou pra Califórnia
Viver a vida sobre as ondas
Vou ser artista de cinema
O meu destino é ser star…
 
Foto: 

1) Angelina Galiteva na Q.I 17, em frente ao restaurante El Negro.

 

Energia limpa

Economia e meio ambiente ganham com o Gasoduto Bolívia-Brasil

8 de agosto de 2005

Cinco estados terão energia mais limpa, com promissoras mudanças na matriz energética

Essa é uma obra de fôlego: ela está presente diretamente em 135 municípios brasileiros, atrai trabalhadores de cinco países, requer um investimento de US$ 2 bi  e é a maior obra que se realiza atualmente na América do Sul. A primeira fase do Gasoduto Bolívia-Brasil, inaugurado dia nove pelo presidente FHC,  sai de Santa Cruz de La Sierra, na Estação de Rio Grande, na Bolívia, e chega até Guararema, São Paulo. Tem 1.970 km de extensão. Na segunda fase, até Porto Alegre, a ser inaugurada em outubro, o gasoduto completará 3.150 km de extensão. Segundo o presidente da Petrobras, Joel Rennó, esse é um investimento que vai mudar definitivamente a matriz energética brasileira, com benefícios incalculáveis.


À medida que os tubos vão passando por cada um dos 135 municípios ou por cada uma das 22 aldeias indígenas, a economia da região vai se transformando, os hábitos das pessoas mudando e a esperança pelo melhor desempenho econômico e social aumentando.


Para se ter uma idéia desta transformação, basta lembrar que o gás boliviano substituirá, com muita vantagem, os combustíveis utilizados (carvão, lenha, derivados de petróleo). O gás natural será distribuído nos estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que respondem por 75% do PIB e por 82% da produção industrial.


Vantagens ambientais
Por propiciar uma queima limpa, com ausência de particulados (cinza produto da combustão) e por possuir baixíssimo teor de enxôfre, a utilização do gás natural diminui em muito a poluição atmosférica, quando comparado com outros combustíveis. E tem mais dois pontos importantes: 1) A utilização do gás natural agrega qualidade ao produto final, como no caso do vidro, porcelana e cerâmicas; 2) Pela sua maior eficiência de combustão e por dispensar o estoque e armazenamento, o gás natural proporciona muito mais economia para os segmentos industriais que o utilizam.


Gás natural é fonte de energia econômica e limpa


Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, o gás boliviano vai possibilitar a construção de duas termelétricas. Uma em Corumbá (com 150 MW) e outra em Campo Grande (com 300 MW). Evidente que o quadro econômico sofrerá alterações imediatas, pois possibilitará o aproveitamento dos 621 milhões de toneladas da terceira maior reserva de minério de ferro do Brasil e dos 16 bilhões de toneladas de calcário existentes no Estado.
 Em São Paulo serão construídas duas termelétricas, uma que vai gerar 400 MW, em Guaracema, e outra com capacidade para gerar 750 MW, em Paulínea. E mais: já neste ano de 1999, ônibus e táxis paulistas terão que utilizar o gás natural como combustível, reduzindo os custos e a poluição no Estado.
A Volkswagen, já no ano que vem, colocará no mercado 14 mil Santanas movidos a gás.
Em janeiro do ano que vem, a Companhia de Gás de S. Paulo começa a atender os seus 290 mil clientes e estima que em três anos vai dobrar a venda de combustível.
Na região de Paulínia e Campinas, 250 indústrias se preparam para utilizar o gás vindo da Bolívia. Mais de mil indústrias deverão ser beneficiadas, tanto no processo produtivo como na geração de energia elétrica em suas unidades.


22 tribos indígenas entram no Plano de Compensação


Embora o traçado da obra não corte as terras indígenas, 22 aldeias situadas num raio de 30 km das obras e que sofrem influência do gasoduto, foram incluídas no Plano de Compensação à Comunidade. Das 22 aldeias, 18 (de etnia Terena) estão localizadas em Mato Grosso do Sul, uma aldeia (Terena e Kaigang) está em S. Paulo e as outras três (Guarani) estão em Santa Catarina. Assessorado pelo Articulador dos Direitos Indígenas e representante da FUNAI, Cacique Marcos Terena, (veja artigo de Terena ao lado) a equipe da Petrobras, comandada por Walter Shimura, viabilizou todos os acertos com as lideranças indígenas. A negociação foi tão competente e amigável que rendeu a Shimura um presente-símbolo: um exemplar do Novo Testamento na língua terena, acompanhado de um dicionário Português/Terena.


Caminhando em direção ao futuro


Marcos Terena*


Os Povos Indígenas sempre foram ricos na sua forma de viver. Um dia porém, chegou o homem branco e suas ricas promessas para um mundo melhor e inúmero presentes. Ao longo do tempo, logo após esses primeiros contatos, fomos transformados em “selvagens”, “preguiçosos” e até “obstáculos ao desenvolvimento”, carentes e dependentes de tudo.


No Brasil esse relacionamento errado trouxe um impacto tão forte que conseguiu dizimar centenas de povos que viviam felizes no meio da selva. No ano de 1996, o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco Andino de Fomento, apresentaram junto com a PETROBRAS, a FUNAI e o IBAMA, o grande projeto Gasoduto Bolívia-Brasil a todas as lideranças indígenas do Mato Grosso do Sul, São Paulo e Santa Catarina, como o mais moderno sistema de condutores de gás e necessário para o desenvolvimento e a modernidade do nosso País. Ao atravessar esses estados, lá estavam de novo, diversas comunidades indígenas. Numa linha de pensamento costumeira, era necessário o chamado “pagamento de indenização”, os índios porém não queriam uma simples indenização, mas conversar, sentar numa mesa de negociação, conhecer melhor o desenvolvimento que chegava e, acima de tudo, demonstrar que o dinheiro acaba, mas o povo não.


Assim nasceu o Plano de Desenvolvimento dos Povos Indígenas do GASBOL.  Numa primeira oferta de U$ 150 mil, as 22 aldeias apresentaram uma demanda de U$ 2 milhões e, após um último acordo, chegaram a um pacote de empreendimentos final de U$ 1 milhão. O importante de tudo isso, como sempre salientaram as lideranças, foi demonstrar a capacidade que os povos indígenas tem de falar, de contestar e de contribuir quando são ouvidos, quando são respeitados, numa perspectiva de que todo e qualquer projeto no futuro deve caminhar nesse sentido. Não dos planos mirabolantes dos tecnocratas em seus gabinetes, mas daqueles construídos a partir de uma negociação sem intermediários e aparentemente demorada junto a cada comunidade, pois a caminhada indígena ao longo do tempo, foi em direção ao futuro. Não basta sobreviver, mas há que viver melhor!


* Marcos Terena é assessor da Funai, Articulador dos Direitos Indígenas e integra o Conselho Editorial da Folha do Meio.

Energia Nuclear

Brasil começa a produzir urânio enriquecido

12 de fevereiro de 2004

No ano passado já foram produzidas 58 toneladas de dióxido de urânio

A INB – Indústrias Nucleares do Brasil S/A – anunciou que ainda no primeiro semestre deste ano começará a produzir urânio enriquecido, a etapa mais sensível do ciclo do combustível nuclear. A empresa estatal não mencionou a quantidade inicial a ser produzida, mas informou que enriquecerá o urânio  em conjunto com o Centro Tecnológico da Marinha, em São Paulo, a partir de ultracentrífugas, cujas obras de instalação das primeiras unidades estão adiantadas.


Urânio em pó


Além da produção de urânio enriquecido, a INB destaca as atividades das Fábricas de Combustível Nuclear – FCN -, localizadas em Resende, no Rio de Janeiro; de Reconversão (transformação do hexafluoreto de urânio em dióxido de urânio – UO² na forma de pó -; de Fabricação de Pastilhas (transformação de dióxido de urânio em forma de pastilha para compor o elemento combustível); e de Montagem do Elemento Combustível (montagem de pastilhas em tubos de uma liga metálica especial, formando um conjunto de varetas).


Ainda conforme a INB, a reconversão alcançou, no ano passado, a produção de 58,3 toneladas de pó de dióxido de urânio – UO², sendo 19,5 toneladas destinadas à décima recarga de Angra I e 34,3 toneladas para a primeira recarga da usina nuclear de Angra II.


Também foram produzidas 3,5 toneladas de urânio em pó para clientes externos e mais uma tonelada para manutenção de estoque.


Já a fábrica de pastilhas produziu 52,4 toneladas de pastilhas de dióxido de urânio, também destinadas à recarga das duas usinas nucleares em operação no Rio de Janeiro.


Combustível avançado


A INB anunciou também sua participação no projeto de combustível avançado para usinas nucleares, em parceria com a Westinghouse, norte-americana, e a KNFC, coreana.
Segundo a empresa, os recentes avanços no desenvolvimento de novos materiais, ligas especiais, novos sistemas de controle e na experiência de operação de reatores, serviram de base a esta evolução tecnológica, compartilhada com as duas empresas estrangeiras.


A intenção é chegar a um novo conceito de combustível capaz de retirar até 40% mais energia por quilo de urânio e permanecer no núcleo até 50% mais tempo, reduzindo o número de paradas das usinas nucleares para recarregamento e propiciando condições para aumentar a potência nominal do reator, devido a um melhor comportamento térmico.


A INB garante que, nos próximos três anos, o projeto permitirá a atualização tecnológica de Angra I, o domínio do conhecimento, por parte do Brasil, de uma nova geração do combustível avançado e, principalmente, a montagem de uma equipe de projeto de combustível nuclear com experiência em tecnologia de ponta de última geração.


Reservas de urânio


As reservas de urânio mais promissoras do Brasil estão na região de Caetité e Lagoa Real, na Bahia, e somam cerca de 100 mil toneladas. A produção, contudo, foi suspensa no ano passado, em virtude da descoberta de passagem de licor através da manta de revestimento da bacia para a camada de argila.
Mas a INB garante que não houve repercussão para o meio ambiente, conforme atestou um laudo proferido pelos órgãos de controle da empresa. Ainda assim, foi colocada mais uma manta de reforço em cada bacia, com o propósito de aumentar a segurança.


Qualidade e meio ambiente



Segundo a INB, a Fábrica de Combustível Nuclear, através das Unidades de Componentes e de Montagem, teve revalidada pela BRTÜV e TÜVCERT a certificação ISO 9001, até o final deste ano, sendo estendido este certificado de qualidade  às Unidades de Reconversão e de Pastilhas.


Ainda conforme a INB, ações internas foram empreendidas visando preparar a empresa para a certificação ambiental ISO 14000, com a realização de auditorias ambientais e as operações de recuperação e manutenção do ecossistema nas regiões circunvizinhas de suas unidades industriais.

Energia Alternativa

SOL: a primeira matriz energética

10 de fevereiro de 2004

O uso da energia solar para aquecimento de água em habitações populares incentiva novas formas de financiamento e treinamento de mão de obra especializada

 







Numa ação pioneira do governo do estado do Rio de Janeiro e da empresa El Paso, 136 famílias de baixa renda foram beneficiadas pela realização do projeto de eletrificação rural em comunidades de dificílimo acesso, em Paraty. Além da energia solar em suas
residências, essas famílias passaram a ter câmaras de resfriamento e congelamento de pescado.
É o Programa Luz no Campo que usa a chamada tecnologia fotovoltaica (PV) capaz de transformar energia solar em elétrica

Uma das pioneiras no financiamento da aquisição de equipamentos solar para residências é a Caixa Econômica Federal que participa de Comissões de Estudos e Grupos de Trabalho sobre o tema e implementa pilotos em empreendimentos do PAR – Programa de Arrendamento Residencial.


“Estas ações contribuem para subsidiar uma política de conservação de energia que privilegie o usuário da habitação popular”, afirma o diretor de Parcerias e Apoio ao Desenvolvimento Urbano da Caixa, Jorge Arraes. Entretanto, as empresas associadas ao Dasol – Departamento Nacional de Aquecimento Solar da Abrava (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento Solar) reclamam que a burocracia para a tomada individual de empréstimos ainda é grande e, por vezes, desmotiva o interesse em usar linhas de crédito.


Jorge Arraes defende que as diretrizes do governo Lula no tocante a implementação de uma política habitacional, emanada pelo Ministério das Cidades, vai “incentivar a instalação de sistemas de aquecimento solares em unidades habitacionais que utilizarem linhas de crédito com subsídio e taxas mais favoráveis para a aplicação em habitação popular”.


O racionamento de eletricidade que aconteceu no Brasil entre 2001-2002 mostrou à população que o modelo de matriz energética nacional tem problemas, diz um técnico da Abrava analisando o efeito apagão, que fez crescer em 50% o negócio dos coletores de aquecimento solar.

Em Minas, o recorde
Minas Gerais é o lugar com a maior quantidade de coletores de energia solar em edifícios do mundo, segundo dados da Abrava.
Só em Belo Horizonte, são 860 prédios residenciais com os chamados sistemas multifamiliares ou multiusuários nos quais uma unidade centralizada abastece todos os apartamentos. Minas se destaca ainda por ser o estado pioneiro em projetos monitorados em conjunto habitacionais, em hotéis, motéis, hospitais e indústrias. “É onde se localiza as novidades tecnológicas como o funcionamento a distância, via telemetria. De qualquer lugar um técnico pode saber detalhes da operação, como por exemplo, a temperatura ambiente, a temperatura da água na entrada e na saída dos pontos de consumo e a condição das bombas, entre outras funções”, explica Amaurício Gomes Lúcio.


Treinamento
Outro fator que impede a expansão do uso dos coletores de energia solar no Brasil é a alta concentração de empresas revendedoras no eixo São Paulo/Minas Gerais, avalia Luis Lopes Gesser, gerente de marketing da Enalter, empresa de Belo Horizonte. “A reposição de certas peças acaba ficando mais cara do que o esperado. Isto eleva o custo do transporte dos coletores”.


Pensando no treinamento de mão-de-obra especializada, a Caixa em parceria com a PUC/MG pretende capacitar dois mil novos técnicos sobre a gestão de projetos em aquecimento solar de água para o setor residencial.


A Abrava também elabora um convênio com a Eletrobrás, o Centro de Estudos Tecnológicos do Cefet e com o Senai para treinar novos técnicos em instalar os coletores.


“Estamos convictos de que a expansão do setor dependerá da capacitação de profissionais que treinem outros técnicos” garante Amaurício Gomes Lucio. A Rede Solar de Treinamento se prepara para realizar a montagem de mais 27 laboratórios e vai buscar parcerias em associações de engenheiros, arquitetos entre outras categorias de todo o país.


120 mil residências
Em 2001, foram instalados 600.000 m2 de coletores solares no Brasil, o equivalente a 120.000 residências, segundo dados da Abrava. “Cada metro quadrado de coletor instalado economiza 215 quilos de lenha ou 73 litros de gasolina por ano e evita a inundação de cerca de 56 metros quadrados na construção de novas usinas hidroelétricas. A população tem que saber que o aquecedor solar não é só economia e conforto, é ecologicamente correto.”, explica o gerente de marketing da Enalter, Luis Lopes Gesser.



Summary


Um Proálcool para o diesel
Frota de caminhões em São Paulo começa a usar o novo combustível


Milano Lopes, de Brasília
Desde o dia 15 de abril, uma frota de 30 caminhões de uma empresa privada na cidade de Ribeirão Preto, em São Paulo, começou a utilizar o biodiesel como combustível, dentro do programa Probiodiesel, do Ministério da Ciência e Tecnologia, equivalente ao Proálcool. Os experimentos com o novo combustível, que pode ser uma mistura de óleo de soja com álcool, tiveram início em Ribeirão Preto, com uma pequena frota de caminhonetes e em Jaboticabal, também em São Paulo, com uma frota de tratores da Unesp, Universidade Estadual de São Paulo. O Brasil foi o primeiro País a dominar a tecnologia para a produção de biodiesel totalmente renovável, com a utilização de álcool no lugar do metanol, um derivado do petróleo. Com o álcool, o novo combustível torna-se 100% vegetal, ou seja, 100% renovável.


Biodiesel x diesel
O biodiesel é basicamente uma mistura de óleo vegetal – que pode ser soja, milho, girassol, canola e até dendê – e um reagente, que pode ser metanol ou álcool de cana, em diferentes proporções.


Como o Brasil produz 9 bilhões de litros de álcool por ano e importa petróleo para produzir óleo diesel, a troca é altamente vantajosa tanto do ponto de vista econômico como ambiental. Estimativas indicam que a economia, considerando a atual frota que utiliza diesel, seria de US$ 1,2 bilhão a US$ 1,8 bilhão por ano.
A vantagem da utilização do álcool é que ele é um produto biodegradável, enquanto o metanol é extremamente tóxico.


Do ponto de vista ambiental a troca também é vantajosa. A utilização do biodiesel em diferentes misturas pode reduzir as emissões de dióxido de carbono entre 9,5% e 20%. Se o biodeisel for puro, ou seja, sem nenhuma mistura com óleo diesel, a redução da emissão de dióxido de carbono poderá ser de até 46%.


Atualmente estão em testes três tipos de biodiesel: o B-100, puro, o B-20, com mistura de 20% de óleo diesel e o B-5, com mistura de 5% de óleo diesel.


O experimento iniciado agora em Ribeirão Preto é o primeiro protocolado na Agência Nacional do Petróleo – ANP – que dessa forma passa a acompanhar e a avaliar o Probiodiesel, com vistas à sua futura utilização em escala comercial.


Na briga com o óleo diesel, o biodiesel leva vantagem em tudo. Enquanto no diesel vai de 18% a 22% a proporção de aromáticos, altamente cancerígenos, no biodiesel há zero de aromáticos. O biodiesel puro reduz em 36% a presença de hidrocarbonetos não queimados e em 100% as emissões de enxofre, ambas amplamente presentes no óleo diesel.


Animado com as perspectivas do biodiesel, o deputado Rubens Otoni (PT-GO) apresentou projeto de lei visando instituir a obrigatoriedade da produção e do uso, de forma progressiva, desse novo combustível, na proporção de 5%. Segundo o projeto, os percentuais de mistura ao óleo diesel irão aumentar gradualmente, até a utilização do biodiesel puro.


Programas de biodiesel estão sendo desenvolvidos simultaneamente na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia. Na Europa, a Alemanha está trabalhando com óleo de colza; na França, o biodiesel tem como fonte vários óleos vegetais, o mesmo ocorrendo nos Estados Unidos, principalmente com o milho. A Malásia utiliza basicamente o óleo de dendê.



A Pro-Alcohol program similar for diesel
Truck fleet in São Paulo has started using the new fuel


Since this April 15th a fleet of 30 trucks from a private company in the city of Ribeirão Preto, São Paulo state, started to use biodiesel as fuel, as part of the Pro-Biodiesel program, from the Ministry of Science and Technology, an equivalent to the previous Pro-alcohol program. The experiments with this new fuel, which can be a mixture of soy oil with alcohol, have begun in Ribeirão Preto, with a small fleet of pickup trucks and in Jaboticabal, another city in São Paulo, with a fleet of tractors from Unesp, the São Paulo State University. Brazil was the first country to control the technology for the production of total renewable biodiesel, with the use of alcohol instead of methanol, an oil derivative. With the alcohol, the new fuel becomes 100% vegetable, in other words, 100% renewable.


The biodiesel is basically a vegetal oil mixture – which can be soy, corn, sunflower, canola and even dende (Brazilian palm) – and a reagent, which can be methanol or sugar cane alcohol, in different proportions.


Since Brazil produces nine billion liters of alcohol per year and imports oil to produce diesel, the exchange is highly advantageous both from the economic point of view as well as the environmental scope. Estimates indicate that the expenses reduction, considering the current fleet that uses diesel, would be from US$ 1,8 billion to US$ 1,2 billion per year.


The advantage of using alcohol is that it is a biodegradable product, while methanol is extremely toxic.
Biodiesel programs are being simultaneously developed in Europe, the United States and Asia. In Europe, Germany is working with colza oil; in France, biodiesel has as source various vegetal oils, the same is happening in the United States, mainly with the corn oil. Malaysia uses mostly dende oil.



Empresário aguarda licenciamento ambiental para energia eólica no Sul
Empresa espanhola reúne com ambientalistas e Ibama para definir a implatação de 176 aerogeradores
com turbinas para produção de energia na APA do Ibirapuitã







Os cataventos têm hoje uma
tecnologia moderna: são mais leves
e com menor ruído

Elizabeth de Moraes, de Sant’Ana do Livramento – RS
Em reunião realizada na sede do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura-secção de Sant Ana do Livramento, o conselho gestor da Área de Proteção Ambiental do rio Ibirapuitã, representado por diversas entidades como Fundação rio Ibirapuitã, Ibama, Fepam, Fundação Marona, entre outros, ouviu a exposição dos diretores da Gamesa e de técnicos contratados para fazer a consultoria ambiental da empresa espanhola. Por mais de três horas e depois de receber um extenso relatório da empresa que pretende instalar uma fazenda eólica em Livramento, os técnicos de diversas áreas questionaram o empreendimento e suas implicações ambientais. A fazenda Cerros Verdes onde se pretende instalar o parque eólico está dentro da área de preservação ambiental do Rio Ibirapuitã. Ao todo são 176 aerogeradores com turbinas. Segundo a presidente do conselho gestor e gerente da APA, engenheira Berenice Marques, do Ibama, ao conselho cabe apenas um parecer sobre a questão que será levado ao órgão licenciador, neste caso o Ibama, devido a localização da unidade de conservação em área de fronteira. Mas, este parecer “é fundamental, porque o conselho é deliberativo e deve ser ouvido” acrescenta Claudio Liberman do Ibama-RS, presente ao encontro. A reunião foi realizada apenas com técnicos e a empresa Gamesa, sem a presença da imprensa ou de público, devido a grande polêmica criada na cidade em torno do licenciamento ambiental. Após o encontro, técnicos e a presidente do conselho, e diretores da Gamesa, se dirigiram à Câmara de Vereadores para relatar e esclarecer alguns pontos. A empresa aguarda licenciamento ambiental para que possa participar a partir de agosto da concorrência pública do governo federal, no programa de incentivo as fontes alternativas de energia.


O Projeto
A área escolhida para ser o maior parque eólico do estado está localizada na fazenda Cerros Verdes, há 27 quilômetros de Livramento e a 457 metros acima do nível do mar. A previsão é de instalação de aproximadamente 150 aerogeradores, de um total de 176 previstos para esta região. A princípio tudo estaria dentro das condições ideais de ventos e outros quesitos se não fosse o fato de a área escolhida estar localizada dentro da Área de Preservação Ambiental do rio Ibirapuitã. Conforme a analista ambiental da APA, Eridiana Lopes da Silva, por tratar-se de uma unidade de conservação há necessidade de que se saiba quais os impactos ambientais que a instalação dos aerogeradores causariam nesta área.


A APA do Ibirapuitã tem 318 mil hectares e compreende os municípios de Livramento, Rosário do Sul, Alegrete e Quaraí. Há vários fatores a serem considerados como o estudo das rotas migratórias das aves, o que ainda deverá ser feito pelo Ibama dentro de um projeto mais amplo para a unidade conservasionista. Mas diante da necessidade da empresa espanhola de dar andamento ao projeto onde serão investidos mais de 150 milhões de dólares, o que resultará numa série de investimentos paralelos, gerando divisas aos cofres municipais (retorno do ICMs) e empregos diretos, numa região já empobrecida com índice crescente de desemprego, a reunião de abril tornou-se urgente.


A possibilidade de uma energia limpa e renovável numa região tipicamente voltada para a pecuária tornou-se o grande fator de atração para esse empreendimento que deverá mudar a paisagem do pampa gaúcho.


Polêmica do lixo continua
Lixo urbano de Livramento (RS) vai para outra cidade


Depois de mais de 20 anos acumulando os resíduos sólidos de Sant}Ana do Livramento no famoso lixão municipal, que nos últimos dois anos vem sendo motivo de polêmica sobre seu destino, finalmente deverá ocorrer uma solução temporária, mas viável. O prefeito Guilherme Bassedas Costa assinou em nove de maio a contratação, em caráter emergencial, da empresa SIL-Soluções Ambientais Ltda, da cidade de Minas do Leão, a 500 quilômetros da fronteira, próximo a Porto Alegre. A empresa fará o transporte de todo o lixo recolhido na zona urbana do município – cerca de 70 toneladas – diariamente, eliminando com isso o problema do lixão a céu aberto que há longos anos é um problema para os moradores do Rincão da Bolsa, interior do município.


O contrato emergencial com aquela empresa terá validade por seis meses, período considerado suficiente pela administração municipal para encaminhar e realizar o processo de licitação visando à contratação definitiva. Já deverá ser definido com o secretário dos Transportes Luiz Pedro Garragorry um local de transbordo do lixo dos caminhões da prefeitura que continuarão fazendo o recolhimento diário, para os containers da empresa SIL que fará o transporte até Minas do Leão. A SIL – Soluções Ambientais Ltda possui licença da Fepam para operar com aterros sanitários e transporte de resíduos sólidos urbanos A prefeitura pagará R$68,00 por tonelada pelo transporte, estimando-se uma média mensal de mil toneladas que seguirão diretamente para Minas do Leão. (E.M)


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