Progresso Erosivo

25 de maio de 2011

Dizem que a fé remove montanhas. A ganância, também.

Dizem que a fé remove montanhas. A ganância, também. É mais um recurso da natureza a ser devastado para o aproveitamento progressista. Uma elevação que resultou da ação lenta e combinada de vários fatores internos e externos da terra. Uma elevação servindo de refúgio para a diversidade animal e vegetal, inclusive com a presença de espécies endêmicas. Uma elevação cujos estudos geológicos podem reconstruir a história de épocas remotas. Uma elevação habitada por organismos que fortalecem outras vidas. Uma elevação de visíveis e invisíveis particularidades não estudadas e que serão exterminadas.


Parece que em certos momentos, o homem tem medo do desconhecido, preferindo a eliminação ao conhecimento. Encanta-se com suas maravilhosas realizações, desabonando as da natureza, por se considerar superior a ela. Não admite que as coisas simples e naturais continuem desafiando seus sentidos, negando-se a aprender com elas. Prefere utilizar da astúcia para burlar os benefícios a seu favor. Seria mais fácil interagir que desafiar pela destruição. As leis da natureza fazem parte das leis da sobrevivência e o homem deixa de viver um pouco mais quando delas se afasta, opondo-se com suas próprias leis.


O progresso é necessário e irrevogável, tendo penas e recompensas futuras. Tudo será manifestado na real capacitação e objetividade dos empreendimentos executados. Convém lembrar, que a natureza possui uma regeneração surpreendente e quando não suporta demasiadas agressões, acaba por acionar sua sequência funcional de maneira nem sempre aprazível aos olhos e ao entendimento. A natureza não julga o homem, o homem julga a natureza, mesmo estando ele abaixo da perfeição comparativa. Ela não é uma concepção monstruosa, de atitudes exterminativas que castiga e pune. Ela, apenas, torna-se o resultado da aplicação correta ou errônea de suas leis e finalidades. Ela não quer ser temida, mas sim, apreciada, amada, preservada e reconhecida pela sua relevante importância para a humanidade. Utilizar de seus benefícios, não significa, entretanto, ultrapassar os limites por ela estabelecidos.