Por uma produção ecologicamente correta

Federação das Indústrias do RJ monta Centro Tecnológico Ambiental para atender mercado

13 de fevereiro de 2004

  Christianne Maroun, gerente de meio ambiente da Firjan, mostra a importância do CTA A nova unidade do CTA, que atraiu investimentos da ordem de R$ 3 milhões, vai oferecer cursos de gestão ambiental para a obtenção do certificado ISO 14000; exames de qualidade do ar e ainda monitoramento para as indústrias fluminenses adotem projetos… Ver artigo

 







Christianne Maroun, gerente de meio ambiente da Firjan, mostra a importância do CTA


A nova unidade do CTA, que atraiu investimentos da ordem de R$ 3 milhões, vai oferecer cursos de gestão ambiental para a obtenção do certificado ISO 14000; exames de qualidade do ar e ainda monitoramento para as indústrias fluminenses adotem projetos de prevenção de acidentes ambientais. Essa é uma nova visão que se solidifica no meio empresarial, pois facilita a produção sem desperdícios nos processos industriais. Significa que a empresa tem responsabilidade ambiental . “Nossos clientes têm resultados precisos na assessoria técnica e a confiabilidade indispensável que toda parceria industrial merece”, afirma Ricardo Barros responsável pela gerência técnica ambiental do CTA.


ISO 14000 – Lídia Ferreira, gerente do sistema de gestão ambiental da Brasil Amarras, única empresa de plataformas de petróleo (off shore) do país, é da mesma opinião. Cliente há cinco anos, Lídia Ferreira diz que essa parceria começou com a implantação das normas da ISO 14001, em 1997. “Hoje, a empresa está toda certificada. Fazemos o monitoramento de água, efluentes líquidos, o que sai da fossa e filtros. Atualmente fazemos o controle do ar das salas internas de acordo com a resolução 176, da vigilância sanitária. Procuramos fortalecer a conduta ambiental positiva que a empresa conquistou e que hoje tem no mercado”, explica Lídia Ferreira. Vários segmentos industriais como os setores químico, petrolífero, têxtil e o siderúrgico do Estado do Rio de Janeiro fazem do CTA uma referência.


Credenciado pela Feema desde 1992, o Centro de Tecnologia Ambiental da rede Firjan está capacitado para fazer intercâmbios internacionais com instituições de referência e universidades. Existem intercâmbios com centros de pesquisa e instituições da Finlândia, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Canadá, Estados Unidos e México. Além da assessoria técnica a rede de Meio Ambiente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro oferece ainda assessorias na área jurídica, institucional e de educação ambiental, sendo todos ligados ao sistema matricial da federação.


Outro dado importante, segundo Christianne Maroun, é que existem 22 unidades operacionais distribuídas em todo o Estado do Rio de Janeiro que permitem atender empresas de acordo com suas realidades e necessidades. O Centro de Tecnologia Ambiental vai abrigar, ainda, o Núcleo de Produção Mais Limpa, criado pela ONU, que visa a oferecer diretrizes orientando os empresários a uma nova conduta ambiental positiva dentro dos padrões de desenvolvimento sustentável.


Mais informações: O CTA do Sistema Firjan fica localizado no bairro Maracanã, no Rio de Janeiro, à Rua Morais e Silva, nº 53. O gerente do CTA é o biólogo RicardoBarros – (21)3978-6100 – centroambiental@firjan.org.br


Gestão Ambiental

ONGs do RJ se unem para vigiar o Estado em sua política ambiental

11 de fevereiro de 2004

União das ONGs exige cumprimento, continuidade e eficiência na gestão do meio ambiente

“A cada eleição, há mudanças na gestão
ambiental e nem sempre são mudanças positivas”


 


FMA – O que gerou a criação do   Observatório de Políticas Ambientais no Estado do Rio de Janeiro ?


Samyra – A idéia da criação do Observatório é coletiva  e vem de conversas com a Thaís Corral da REDEH, a Aspásia Camargo, do CIDS/FGV e Ana Lúcia Nadalutti, do Ibam. Ela se fundamenta na constatação simples de que, a cada período eleitoral, temos mudanças na área ambiental e nem sempre essas mudanças são benéficas para a gestão ambiental.  Esta idéia ganhou adesão de outras organizações do Rio e hoje somos sete ONGs fundadoras. A idéia fundamental do Observatório é a constituição de uma agenda de políticas e ações que interessam à sociedade . Essas ações devem ser negociadas com o poder público, independentemente do partido que esteja à frente da administração.


“A grande mídia só olha para região metropolitana”
Pela primeira vez no Rio está acontecendo a tão esperada parceria entre o governo e a sociedade na gestão das áreas protegidas


FMA – Qual é a situação do Rio de Janeiro, em termos ambientais?


Samyra – A situação do Rio é semelhante a de outros estados do Brasil. A mídia só olha para a região metropolitana. Temos problemas graves na maioria dos nossos corpos hídricos, o que compromete o futuro do abastecimento de água. Temos ocupação desordenada do território, problemas de saneamento ambiental, enfim, a lista é enorme. Mas o fato a registrar é o absoluto descaso que a área de gestão do meio ambiente teve nos três governos anteriores ao do Anthony Garotinho.


Na sua gestão, com  um  ambientalista à frente da secretaria, o deputado estadual do PV, André Corrêa, a situação começou a mudar. Nunca se viu no Estado do Rio de Janeiro tantos investimentos na área ambiental e mudanças conceituais no modo de gerir, como, por exemplo,  a adoção da bacia hidrográfica como unidade de planejamento ambiental, a criação de macroregiões com base neste conceito, e o planejamento das ações, segundo a idéia mestra das agendas azul, marrom, verde.


FMA – Quanto restou de Mata Atlântica? Quantas áreas de preservação estão registradas, atualmente, entre APAs RPPNs, parques nacionais, estaduais e municipais, etc?
Samyra – O Estado do Rio de Janeiro possui cerca de 17% de remanescentes de Mata Atlântica. Vem revertendo a situação que se apresentou há alguns anos de campeão de desmatamento (título dado pelos estudos da S.O.S. Mata Atlântica). Tem havido mais rigor na fiscalização e a lei dos Crimes Ambientais tem ajudado muito. Na esfera estadual existem 34 unidades de conservação. Destas, 19 estão sob guarda direta do IEF-Instituto Estadual de Floresta, pois estão na categoria de uso indireto. A maioria destas Unidades de Conservação eram “parques de papel”, apenas com diploma legal: sem sede ou com sedes precárias, sem guardas florestais, sem plano de manejo etc. Nesta gestão foram conseguidos recursos para tirar nove das principais unidades do papel. Os recursos vieram de medidas compensatórias pelo licenciamento das termoelétricas.


Mas, o mais interessante é que estes recursos estão indo para as ONGs administrarem as Unidades, como é o caso do WWF e FBCN. Enfim, pela primeira vez, no Rio, está acontecendo de verdade a tão esperada parceria entre governo e sociedade na gestão das áreas protegidas. Esta é uma ação, que nós, do Observatório apoiamos e que achamos, deve continuar.


FMA – Quais são os problemas mais graves enfrentados pela sociedade fluminense?


Samyra – Todos os problemas ambientais gerados pelo “efeito bumerangue”, isto é, pelo fato de se voltarem contra os seres humanos, afetando sua saúde ou qualidade de vida.  Mas eu acredito que dois são especialmente graves: a condição dos nossos recursos hídricos e da ocupação desordenada e predatória das zonas costeiras, de um lado. De outro é o “passivo ambiental” industrial que só agora começa a ser enfrentado.


Só nesta última gestão foram assinados Termos de Ajuste de Condutas com  grandes empresas poluidoras como: a Reduc –  Refinaria de Petróleo Duque de Caxias; a CSN, a maior poluidora do Paraíba do Sul, que é o principal rio que nos abastece; e mais 17 outras, que são responsáveis por 80% da poluição pesada na Baía de Guanabara.


FMA – Como o Iser avalia a gestão ambiental do RJ, nos últimos dez anos?


Samyra – Quando se faz um balanço dos últimos dez anos, muitas coisas positivas podem ser destacadas: o aumento da consciência ambiental, que certamente tem relação com o fato de o Rio de Janeiro ter sido anfitrião da RIO’92; o surgimento de organizações profissionais e estruturadas, que passaram a atuar na área ambiental; como também o engajamento de muitas organizações sociais, que antes não tinham programas ambientais e que passaram a tê-los, promovendo um saudável encontro entre as questões de saúde e qualidade de vida,  de combate à pobreza e meio ambiente.


Por parte do Estado, não há dúvida de que houve uma renovação da legislação, e eu destaco a lei dos Crimes Ambientais e a dos Recursos Hídricos.


O esforço de institucionalizar um  sistema de controle mais efetivo também ocorreu. Como o sistema estadual estava muito ruim, com um poder de resposta muito limitado, criou-se a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, em 1995, que significou um  avanço tremendo em termos de controle ambiental e de ações preventivas em nosso município.


-SUMMARY-


Rio de Janeiro NGOs join to monitor the Government’s environmental politcs
Union of NGOs demands fulfilment, continuity and efficiency of environmental management


In the beginning of April, seven of Rio de Janeiro organizations joined forces and promoted an original initiative that could become popular throughout Brazil. It is the creation of the Observatory of Environmental Politics of Rio de Janeiro State, whose launching was carried through in the headquarters of the Institute of  Architects of Brazil in Rio de Janeiro (IAB/RJ). The former State Environment secretary, Andres Corrêa, participated in the event and made sure to answer the questions placed by the NGOs on projects and programs related to the green agendas (protection of reserves and biodiversity), blue agendas (water resources) and brown agendas (action of environmental sanitation and combat to industrial pollution).


The main objective of the observatory, according to Samyra Crespo, coordinator of environment and development section of ISER-Institute of Religious Studies and one of founding organizations “is to constitute a positive environmental agenda where society can and will carry out actions identifying the ones which had results and the ones that did not, taking part in those to guarantee our quality of life and the conservation of natural resources. This agenda is an aspiration of a society, which no longer stands the changes of governments, agencies and projects, in every election and that watches, many times, good ideas being thrown on the bonfire of vanities and the incited mood of the election disputes”.


ISER, IBAM- Brazilian Institute of Municipal Administration, IBG- Guanabara Bay Institute, REDEH- Human Development Network, Grude- Ecological Defense Group, Viva-Rio and the International Center of Sustainable Development, an office of Getúlio Vargas Foundation, are the seven organizations responsible for the creation of the Observatory. Other NGOs and private and academic entities of the State should be joining the initiative. Every six months, one of the organizations participating in the Observatory will assume the coordination of all projects.


Folha do Meio Ambiente interviewed Samyra Crespo, from  ISER, the first organization to co-ordinate the Observatory of Environmental Politics of Rio de Janeiro State. Imagine, dear reader, how great it would be if this idea catches on in the rest of Brazil…


Samyra: The idea of creating the Observatory is a collective one and it came from dialogues of Thaís Corral from REDEH, Aspásia Camargo, from CIDS/FGV and Ana Lúcia Nadalutti, from IBAM. The idea is based on the simple verification that, during every period of elections, we have changes in the environmental area and not always these changes are beneficial for environmental management. This idea obtained adhesion of other organizations from Rio de Janeiro and today we are seven founding NGOs. The central idea of the Observatory is the constitution of an agenda of politics and actions that interest society. These actions must be negotiated with the public governement, independently from the political party that is handling the current Government Administration.

Gestão sustentável

Os 10 mandamentos da sustentabilidade

10 de fevereiro de 2004

O que uma empresa tem que levar em conta para garantir o respeito à vida

Qual a diferença entre o homem e os animais, no que diz respeito ao ambiente em que vivem? Simples.
Os animais estão condenados a viver onde o clima, onde a vegetação e onde as condições de solo e de água lhes são favoráveis. Eles nascem, crescem, migram e se reproduzem nos habitats de suas conveniências. Já o homem, por ser racional, por saber dominar a natureza e por desenvolver tecnologias para suas conquistas e para seu bem-estar, está cada vez mais distante desta dependência.


Mas é justamente aí que mora o perigo. Se o homem acredita e avança nesta dominação, ele também deve entender que muitas coisas vitais que a natureza lhe dá não podem ser produzidas artificialmente.
Oxigênio em quantidade, recursos hídricos, matéria orgânica, biodiversidade de fauna e flora e tantos outros recursos naturais necessários ao seu próprio consumo não se mantém sem os ciclos de chuva, de frio e calor, sem a massa de vegetação constituída pelas florestas das mais variadas formações, sem a existência de microorganismos, de insetos, de aves e tantas outros indivíduos que ajudam a manter esses processos de purificação da água, do ar, a disseminação de sementes, polenização de plantas, reciclagem de nutrientes, enfim, toda esta orquestração universal que significa, dentro de sua fantástica e divina complexidade, o equilíbrio dos ecossistemas.
Não há como qualquer ser vivo se isolar por muito tempo em apartamentos de grandes cidades, em bunkers subterrâneos e nem em plataformas espaciais. Não há ser vivo independente.
De qualquer maneira e em qualquer situação, o homem tem que continuar produzindo e consumindo, sempre tendo no meio ambiente o seu produto de primeira necessidade.
O ecossistema será – para todo o sempre – a sua grande placenta para a vida ou para a morte. Neste processo de usar sem abusar dos recursos naturais, de produzir riquezas sem degradar e de consumir vantagens sem comprometer é que está a equação do equilíbrio.
Sem ações sustentáveis, sem produção sustentável e sem consumo sustentável, essa engrenagem da vida pode emperrar.
Antes que a engrenagem emperre, cada um pode dar sua contribuição para lubrificar e ajudar na sua manutenção. Isso se chama sustentabilidade.


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