Ações de Cidadania

É tempo de Interagir

10 de fevereiro de 2004

E um grupo de jovens de Brasília resolveu brincar de mudar…

 







O Parque da Cidade é sempre um bom lugar para os encontros e tomadas de decisão


 


Fazer agora
?Os adultos dizem que o mundo será nosso. Já que é assim, vamos cuidar dele agora.? Carolina Torres Silva fala com a voz firme de quem está determinada a batalhar por mudanças reais. Ela tem apenas 16 anos e, como a maioria dos jovens de classe média, possui uma agenda cheia: cursa o segundo ano do 2o Grau, faz judô e inglês e nos fins de semana ainda freqüenta um grupo de escoteiros. Mas acha tempo para se dedicar às atividades sociais do Interagir, que ajudou a fundar quando ainda não havia completado 14 anos. “Nós queremos fazer com que as pessoas façam algo agora. Ninguém precisa ser advogado, promotor ou juiz para lutar por justiça social. Se nós conseguirmos que um jovem deixe de ir ao shopping para discutir problemas comuns no fórum, já será uma vitória”, diz.






“Os adultos dizem que o mundo será nosso. Já
que é assim, vamos cuidar dele agora.”

Carolina Torres Silva, 16 anos

Carolina ainda não sabe que profissão escolher – pensa em Educação Física – porém, tem a convicção e a esperança de devotar a vida ao Terceiro Setor: “Quero viver para mudar a realidade do mundo. A gente sem ele vai pro espaço”. O trabalho na área social, que cativa Carolina, seduz e apaixona os companheiros, muitos deles militantes do escotismo e do Movimento Bandeirante desde sete, oito anos de idade.


É o caso de Mateus Fernandes, 21, que antes acompanhava os trabalhos do grupo, mas só entrou mesmo há seis meses, para ajudar transformar o grupo em ONG.


Lúcido, com um olho no futuro profissional, Mateus faz Ciência da Computação na Universidade de Brasília e alinha os três motivos principais para integrar o grupo:


1) Crescimento pessoal – Aqui a gente se envolve e aprende a lidar com conflitos internos e externos. Nós conhecemos outras realidades;
2) Crescimento profissional – Estas ações vão para o nosso currículo e podem nos ajudar no futuro, enriquecendo-nos de experiências;
3) Satisfação – De saber que se está deixando uma marca no mundo.


E acrescenta: “Não gostaria de viver 100 anos e descobrir que não fiz nada pelas pessoas. Não basta plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. Eu quero fazer mais”.







“O que você faz bem, pode fazer bem a alguém. Partimos da idéia de que todo jovem tem sede de transformação, quer se envolver e muitas vezes não encontra oportunidade. É aí que
entra o Interagir, oferecendo a ele a chance de participar”
Mariana Cruz de Almeida Lima, 14 anos, aluna do Sigma

Foi justamente esse fazer, essa necessidade de não ficar parada o mote de atração de Mariana Cruz de Almeida Lima, 14 anos. Do colégio em que estuda, o Sigma – escola de alunos das classes média e alta de Brasília, conhecida pelo ensino sério e rigoroso -, a jovem sai para a periferia pobre, cantando um refrão de Gabriel o Pensador: “Até quando vou levar porrada? Até quando vou ouvir calada?”


A inércia nunca agradou esta moça de olhar incisivo que, “antes de se sentir juventude”, já tinha feito um curso de Políticas Públicas e sabia como elaborar um projeto para captação de recursos. “Um dos nossos lemas é: o que você faz bem, pode fazer bem a alguém. Partimos da idéia de que todo jovem tem sede de transformação, quer se envolver e muitas vezes não encontra oportunidade. E é aí que entra o Interagir, para oferecer essa chance.”


De 4 a 600 jovens interagindo
III Fórum de Protagonismo Juvenil do DF







Muito animado, o grupo Interagir tem se reunido nos fins de semana para preparar a parcipação no III Fórum de Protagonismo Juvenil do DF, que reunirá mais de 600 jovens

Thais de Mendonça, de Brasília
Nas eleições do ano 2000, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, 43% dos jovens com idades entre 16 e 17 anos tinham título de eleitor. Uma pesquisa da Unicef apurou que, entre os brasileiros, 35% da população jovem já participaram de alguma atividade, seja em associações comunitárias, seja em seu próprio bairro. Desses, 13% disseram ter envolvimento com grêmios escolares. Um percentual ainda mais alto 67%
se consideram voluntários: 16% já participam de alguma ação, enquanto 48% gostariam de se engajar, mas lhes faltam informações.


Esses números justificam hoje a criação do Grupo Interagir e explicam seu crescimento. Somos um grupo de jovens determinados a se apoiar uns nos outros para tentar resolver problemas conjuntos, define Mateus Fernandes, 21, um dos membros dessa rede que não tem líderes. O objetivo é “extrapolar”, acrescenta o jovem, esclarecendo: “Sair do alcance do seu braço”, fugir ao individualismo.


Se os jovens do passado faziam a revolução através do protesto, com a filiação a um partido ou organização política e até com o apoio à luta armada, os de hoje têm objetivos diferentes. “Hoje nós fazemos uma revolução silenciosa, não pelo discurso das palavras, e sim com acontecimentos. O que nós queremos é que o adolescente de hoje reflita sobre seu papel na sociedade e parta da reflexão para a ação.”


O Grupo Interagir começou a atuar em junho de 2000, com apenas seis jovens “motivados por ideais comuns”. Primeiro, resolveram fundar um sítio na internet, convictos de que a ferramenta da comunicação seria vital para integrar, reunir e divulgar pensamentos. Em dezembro do mesmo ano, eles já eram 12 e se dividiram em duas equipes. Hoje, essa equipe capacita, forma e conscientiza centenas de adolescentes, que se engajam em projetos de outras organizações não governamentais, em áreas tão diferentes quanto meio ambiente e novas tecnologias, social e política.







“Não é só assistencialismo.
Não nos basta levar
comida a uma creche uma
vez porano e achar que
estamos fazendo um bem
social. É ver além, pensar num
horizonte mais amplo, enxergar a comunidade, o Brasil. É brincar de mudar.

Clóvis Henrique Leite de Souza, 22 anos

“O negócio era começar”, conta Clóvis Henrique Leite de Souza, 22, um dos primeiros a se encontrar no Centro de Voluntariado do Distrito Federal. “Não detínhamos conhecimento sobre projetos, então fomos procurar as pessoas que sabiam. Chamamos um cientista político, um especialista em projetos, e nos dedicamos a aprender temas relacionados à participação social, política e econômica. E fomos correr atrás dos nossos próprios projetos.”


Aquele grupo inicial foi crescendo também com as visitas às escolas. Jovem falando com jovem. “Um gambá cheira o outro”, lembra Clóvis, defendendo a expansão do Interagir a partir das salas de aula do ensino médio, quando rapazes e moças escutam outras pessoas como eles estimulando-os a agir. “Não é só assistencialismo, não nos basta levar comida a uma creche uma vez por ano e achar que estamos fazendo um bem social. É ver além, pensar num horizonte mais amplo, enxergar a comunidade, o Brasil. É brincar de mudar.”


Com o slogan “Faça de seu presente um presente para o mundo”, o Grupo Interagir vai fazer, entre os dias 21 e 22 de junho, o 3ª Fórum de Protagonismo Juvenil do DF. Já estão acontecendo vários eventos preparatórios, como o “Impacto das imagens e mensagens na vida das pessoas”, que ocorreu no último fim de semana de maio. Nesse próximo fórum, onde se espera reunir 600 jovens, o tema será, bem a propósito: ?Uma volta ao Brasil?.


Mais informações:
Centro de Voluntariado do DF

SEPN Qd. 506 – Bloco C – s/s 01
70740-530 – Brasília – DF
www.protagonismojuvenil.org.br
portal@protagonismojuvenil.org.br
Projeto Pegadas Brasil
SHIN CA 05 conjunto J bloco B sala 101
71503-505 – Brasília – DF – Brasil
(61) 468.6606 – (61) 468.4642
www.pegadas.org.br
rastreando@pegadas.org.br


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