Literatura ambiental

Aqüicultura contra a fome

4 de março de 2004

    Publicado pela Editora da Universidade Federal de Santa Catarina e dedicado a Herbert de Souza (Betinho), "um incansável lutador pelas causas dos pobres do Brasil", segundo o autor, Aqüicultura e desenvolvimento sustentável, de Luís Vinatea Arana, possui, claro, características de uma obra técnica, mas tem uma pretensão maior. "Gostaríamos que esse trabalho servisse… Ver artigo

 

 

Publicado pela Editora da Universidade Federal de Santa Catarina e dedicado a Herbert de Souza (Betinho), "um incansável lutador pelas causas dos pobres do Brasil", segundo o autor, Aqüicultura e desenvolvimento sustentável, de Luís Vinatea Arana, possui, claro, características de uma obra técnica, mas tem uma pretensão maior. "Gostaríamos que esse trabalho servisse para que os nossos aqüicultores refletissem sobre essa área, a sua finalidade e o papel que desempenha, ou melhor, que deveria desempenhar no combate aos graves problemas da nossa sociedade e do nosso ambiente", diz Arana, e acrescenta: "Queremos deixar claro que uma coisa é inventar tecnologias ambientalmente amigáveis, outra é fazer com que estas sejam adotadas, de fato, pelo setor produtivo". Em outras palavras produzir alimentos abundantes e colocá-los na mesa de quem precisa.

Arana acredita que, com uma aqüicultura estritamente tecnológica, pode-se produzir alimento suficiente para sustentar todo o mundo, desde que se utilize um modelo correto de desenvolvimento da atividade agrícola, coerente com seu contexto social e ambiental.

Mais informações:
O autor é professor do Departamento de Aqüicultura do Centro de
 Ciências Agrárias da UFSC e pesquisador do Laboratório de 
Camarões Marinhos. Fone: (48) 232-3013 (comercial) e (48) 232-3178 (residencial)
e-mail: vinatea@mbox1.ufsc.br

Fósseis de savana na floresta densa

Por que a fauna e à flora da Amazônia são tão ricas? Porque é a floresta equatorial mais antiga do planeta e está há milhões de anos sob incessante calor e umidade. Essa idéia de clima estável durou cem anos e foi superada na década de 80 por uma teoria totalmente oposta, segundo a qual a rica biodiversidade é fruto de mudanças radicais no meio ambiente ocorridas no pleistoceno, a última era glacial, quando a temperatura média na Amazônia caiu pelo menos 4,5o C, diminuindo a floresta e aumentado as áreas de savana.

Com essa teoria como referência, o pesquisador Alceu Ranzi trabalhou durante dez anos procurando fósseis de mamíferos do pleistoceno na Amazônia Ocidental, que ocupa partes do Brasil, Colômbia, Equador e Peru. A pesquisa deu origem ao livro Paleoecologia da Amazônia: megafauna do pleistoceno. (A paleoecologia identifica seres extintos e interpreta ecossistemas de períodos geológicos passados.)

Ranzi conta que encontrou fósseis de mamíferos de savana na hoje densa floresta. Assim, segundo ele, "torna-se plausível a hipótese de que a fauna do pleistoceno da Amazônia Ocidental foi uma mistura de espécies de savana e floresta, condição que permitiu a alta biodiversidade da região". Isso pode explicar, por exemplo, diz Ranzi, porque uma mesma espécie de tatu consegue viver no cerrado, na caatinga, nos pampas e nas florestas do sul da Amazônia.

Mais informações:
(48) 9983-5914

Saúde e seus fatores físicos e biológicos

Em Princípios de Ecologia Médica, o zoólogo Fernando Dias de Avila-Pires apresenta os conceitos básicos de um ramo do conhecimento em que se estuda as relações dos fatores físico e biológico com a saúde. Segundo o autor, "a atenção é focalizada nas relações entre organismos e o meio ambiente".

Avila-Pires afirma que a globalização, com a queda das barreiras políticas e o livre trânsito de pessoas e produtos, resultou na alteração dos padrões clássicos da geografia da saúde e da doença, sendo responsável, em grande parte, pelas chamadas doenças emergentes, que atualmente constituem a maior preocupação da ecologia médica. "O equilíbrio das comunidades naturais resulta de milhões de anos de tentativas, falhas, sucessos, interações, acomodações e seleção", diz.

No livro esses temas são tratados de maneira concisa, com exemplos retirados de situações reais. Avila-Pires destaca o capítulo "Da superstição à ciência", que traz uma abordagem histórica dos conceitos de saúde e doença.

O livro destina-se a estudantes e profissionais das áreas de biologia e saúde e também aos interessados nas relações entre saúde, doença e meio ambiente.

Avila-Pires é professor do Instituto Oswaldo Cruz e membro da Academia Brasileira de Ciências.

Mais informações:
Tel: (48) 235-1490 – (48) 331-9680
Fax: (48) 235-2275
e-mail: favila@matrix.com.br 

Erosão: o processo que degrada

O livro Erosão: o problema mais que o processo traz nova abordagem para um antigo dilema nas relações entre o homem e o meio ambiente.

De acordo com o autor, o professor Luiz Renato D'Agostini, não basta descrever o processo erosivo. É preciso compreendê-la em suas implicações socioeconômicas e culturais. A erosão passa a ser vista não apenas como um processo físico degradador do meio, mas como uma ameaça à sustentabilidade das relações entre o homem e a natureza.

Através desse novo enfoque, o livro procura definir de que forma a ação do homem pode ser decisiva para o controle da erosão, buscando compreender por que esse controle ainda hoje é tão insatisfatório, quando técnicas elementares e reconhecidamente eficientes estão disponíveis e poderiam ser adotadas.

Mais informações:
(48) 331-9357 ramal 219 – (48) 233-0298

O som como visão de mundo

Livro revela a cultura musical dos índios do Alto Xingu

A audição, mais do que qualquer outro sentido, é o principal meio pelo qual os índios Kamaiurá, do Parque Indígena do Xingu, na Amazônia, concebem o mundo em que vivem, explica o antropólogo Rafael José de Menezes Bastos, autor do livro Musicológica Kamaiurá (302 p., R$ 21). Publicada pela Editora da Universidade Federal Santa Catarina (EdUFSC), a obra é uma das primeiras descrições etnográficas das concepções sonoro-musicais de um povo indígena.

Para o autor, a importância que tem o som e a música para os Kamaiurá é uma das diferenças fundamentais entre a cultura desses índios e a nossa tradição cultural. "Diferentemente de nós, que temos na visão o canal privilegiado de apreensão e concepção do mundo, os Kamaiurá elegeram a audição como via primordial de conhecimento", revela Bastos.

Os Kamaiurá são detentores de uma teoria fono-auditiva e musicológica extremamente sofisticada. Os sons, que podem se manifestar em coisas aparentemente banais como o amassar de folhas ou o canto de um pássaro, assumem uma importância vital no cotidiano da aldeia. A música e a dança são suas principais formas de expressão e comunicação, acompanhando todos os rituais e cerimônias tradicionais. A música tem sido o tema central das pesquisas de Rafael de Menezes Bastos, que há anos vem estudando a cultura musical dos índios da Amazônia.

Mais informações:
(48) 331-9714 ou 234-0438 (48) 331-9408

Pesquisa descreve 272 pássaros da ilha de Santa Catarina

Paixão pela ilha une pesquisador argentino e paulista que elaboram livro-referência sobre aves em Mata Atlântica

Tié-sangue, papa-lagarta, gavião-bombachinha, pintassilgo, joão-pobre e bobo-pequeno são algumas das 272 espécies catalogadas no livro "As aves da Ilha de Santa Catarina" que a Editora da Universidade Federal de Santa Catarina acaba de publicar. Trata-se de um primeiro levantamento minucioso feito em área de Mata Atlântica, cuja preservação é essencial para evitar a extinção de vários pássaros identificados na pesquisa.

A obra é resultado de um ano e meio de trabalho de campo de dois especialistas: Luciano Nicolás, um argentino de Buenos-Aires, e Marcos Rodrigues, um paulista de Campinas. Ambos estudaram na UFSC. Luciano graduou-se em Ciências Biológicas e depois realizou mestrado em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Já Marcos foi bolsista recém-doutor, após fazer doutorado em Zoologia pela Universidade de Oxford, Inglaterra. O primeiro continua no Inpa. O segundo hoje é professor na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Os dois têm em comum o gosto pela ciência e a paixão pela natureza pródiga de Florianópolis e pela riqueza da Mata Atlântica.

As pesquisas mostram dados sobre a sazonalidade e migração, abundância, reprodução, ocupação e habitats, comportamento, ecologia e conservação de todas as espécies de aves da Ilha da Magia. Ao mesmo tempo em que se apresenta como uma excelente fonte para os estudiosos da área, o livro mata a curiosidade de todos os que estejam interessados em conhecer mais sobre o meio ambiente. A descrição dos pássaros, embora tenha caráter científico, é acessível inclusive aos leigos.

Antes de descrever as aves, os autores fazem um breve resgate da história ornitológica da Ilha de Santa Catarina, utilizando-se principalmente de informações constantes no livro Ilha de Santa Catarina-Relatos de Viajantes Estrangeiros dos Séculos XVIII e XIX, uma obra clássica publicada pela Editora da UFSC. Os pesquisadores, além de identificarem as aves, fazem uma descrição de todos os ambientes abarcados pela Mata Atlântica. Segundo Alexandre, a pesquisa, "através de uma óptica ecozoológica ", faz um verdadeiro vôo panorâmico sobre a Floresta Pluvial da Encosta Atlântica, descendo através das florestas das planícies quaternárias, até atingir os manguezais e restingas. Abrangendo dez ambientes avi-faunísticos, a obra sintetiza a vida e hábitos de 272 espécies, tornando-se uma referência e fonte de consulta atualizada e imprescindível. 

Mais informações: 
Tel: (31) 499-2907; (48) 331-9408
Luciano: nak@inpa.gov.br
Marcos:
ornito@mono.icb.ufmg.br

ABC da Amazônia

A geógrafa Mariléia Leal Caruso e o jornalista Raimundo Caruso viajaram de barco, ônibus e avião por milhares de quilômetros da região Norte e entrevistaram cerca de 30 especialistas e líderes sociais para "esboçar uma visão abrangente e de conjunto da galáxia amazônica". Esse é o objetivo do livro Amazônia, a valsa da galáxia: o abc da grande planície.

Com 480 páginas e 24 fotos, o livro trata de temas diversos, como escravismo indígena, arquitetura, história econômica e política, biodiversidade, reforma agrária, Zona Franca de Manaus, desmatamento, garimpos, missões jesuíticas, peixes, medicina indígena, entre outros. As entrevistas são a base do livro. Além delas, ao fim de cada uma das quatro partes do livro, há textos curtos que misturam informações históricas com relatos da viagem. O prefácio é do geógrafo Aziz Ab'Saber, ex-presidente da SBPC.

A entrevista com Orlando Villas Bôas abre a primeira parte. Depois de contar que ele e dois irmãos tiveram de mentir para ingressar na Expedição Roncador-Xingú, em 1943, (o coronel Vanique, chefe da expedição, só aceitava analfabetos: "porque são mais resistentes"), o sertanista relembra histórias de seus 42 anos passados na floresta. Uma delas é sobre garimpeiros. "O pior foi quando começamos a entrar em contato com os garimpos. Era uma gente terrível. Uma noite participamos de uma festa deles. Mataram vários. E ainda escreveram uma tabuleta assim: "Quem levantar de manhã e encontrar alguém morto na porta do rancho, arraste e jogue no rio."

Há ainda depoimentos do historiador Roberto Santos, que escreveu o livro História econômica da Amazônia (1800-1920); da ex-seringueira e senadora pelo Acre, Marina Silva; do geógrafo Orlando Valverde, presidente da Campanha Nacional de Defesa e pelo Desenvolvimento da Amazônia (CNDDA); do líder do Movimento dos Sem-Terra, João Pedro Stédile; do biólogo Adalberto Val, integrante do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa); do arquiteto João Castro Filho, que fez o projeto da "casa da árvore", construída com 120 toneladas de madeira.

Mais informações: 
Tel: (48) 234-0187; 331-9408