O meio ambiente no mundo

Meio ambiente dá voto?

8 de agosto de 2005

As pesquisas levantam questões que as pessoas nem sempre sabem responder.

Meio ambiente dá voto?


Em todas as eleições os ambientalistas tentam persuadir candidatos a cargos eletivos a adotar uma plataforma ambiental. Na maioria das vezes, com pouco sucesso. 1998 não foi exceção. Motivo: os políticos acham que o meio ambiente não dá voto. Será que eles estão certos?
Um dos melhores lugares para responder essa pergunta são os Estados Unidos. Há três décadas os norte-americanos fazem pesquisas de opinião pública sobre meio ambiente. Essas pesquisas representam um patrimônio invejável para o movimento ambientalista.


Importância das pesquisas
Especial importância têm as pesquisas que foram feitas de maneira constante através desses anos, sempre com as mesmas perguntas, pois permitem observar a mudança de opinião ao longo do tempo. Formação de opinião pública é um processo complexo. Alguns teóricos dividem-no em cinco etapas: conhecimento, convencimento, decisão, experimentação e adoção. Passar por todos esses estágios pode levar anos, ou até décadas.


As pesquisas norte-americanas evoluíram muito nesses 30 anos. Alguns tópicos surgiram (camada de ozônio), outros gradualmente desapareceram (contaminação do ar com chumbo). As perguntas tornaram-se mais precisas e menos tendenciosas. Até a década de 70, haviam sido feitas cerca de 100 perguntas sobre meio ambiente. Nos anos 80 esse número chegou a 250. No início da década de 90 havia mais de 500 perguntas, resultando num fabuloso material de pesquisa, infelizmente inexistente em nosso País. O Brasil tem a sorte de contar com uma pesquisa de qualidade, realizada em 1992 e 1997 pelo CNPq e o ISER, uma ONG do Rio de Janeiro. Mas é uma série ainda recente.


Nos Estados Unidos o apogeu da preocupação com o meio ambiente ocorreu na década de 70, quando as comemorações do Dia da Terra levavam milhares de pessoas às ruas. O governo captou a mensagem. Em 1970, o primeiro ato do presidente Nixon foi assinar  a Lei de Política Ambiental. Seguiram-se várias outras medidas, inclusive a que criou o EPA, o órgão que cuida de poluição. Houve um chamado à nação para uma década de “limpeza ambiental”.


Diminuiu a priodidade
Passada a euforia, a prioridade que os norte-americanos atribuem ao meio ambiente diminuiu de forma acentuada, de acordo com as pesquisas. Segundo a Roper Starch Worldwide, em 1974 o meio ambiente era a 10a  prioridade das pessoas. Educação e saúde sequer apareciam na lista. Vinte anos depois, em 1994, o meio ambiente havia caído para a 17º posição, ganhando apenas da preocupação dos americanos com motoristas bêbados e com um possível racionamento de energia.
Ou seja, atualmente meio ambiente não dá voto nos Estados Unidos. Certo?  Não necessariamente.


A interpretação de que meio ambiente não é mais “prioridade”, ainda que lógica, não considera um fator crucial: a maioria dos americanos, independentemente de idade, renda ou origem social, apóia a proteção ao meio ambiente e concorda que recursos significativos sejam destinados a esse fim. Isso aparece em todas as pesquisas. Mais: eles acreditam que os políticos estão preocupados com o assunto e confiam que no trabalho que governo está fazendo para resolver os problemas ambientais.


De fato, há indicadores positivos sobre a recuperação do meio ambiente norte-americano, principalmente no controle da poluição e da qualidade da água – alguns dos problemas ambientais de maior visibilidade para o público. Entre 1975 e 1985 a contaminação do ar por emissões de chumbo caiu em 90%. As pessoas têm consciência desses resultados. Perguntadas sobre temas nos quais os Estados Unidos têm um desempenho melhor que outros países, colocaram a proteção ambiental em destaque, com 62% de concordância, bem próxima do primeiro colocado, pesquisa científica, que obteve 67% de concordância. Uma quantidade bem menor de norte-americanos acha que seu país tem um desempenho melhor do que os outros nas áreas de saúde (41%), controle da criminalidade (30%) e das drogas (29%), segundo pesquisa de 1998 da Roper Starch Worldwide.


Preservação e crescimento
Outra pesquisa investigou se os americanos acreditam que é possível conciliar preservação do meio ambiente com crescimento econômico. Desde 1976, ano em que começou a série, conduzida pela Cambridge Reports, a maioria dos americanos acredita que sim, é possível conciliá-los. O dado mais interessante revelado por essa pesquisa é que a porcentagem dos que acreditam nessa compatibilidade tem crescido continuamente. Em 1976, 50% acreditavam que era possível conciliar preservação e crescimento, enquanto 23% achavam que eles eram incompatíveis. Em 1992 os otimistas chegavam a 68% contra 23% dos pessimistas.


Conclusão:
a) para os norte-americanos a proteção do meio ambiente é muito importante; 
b) eles acham que os políticos e o governo estão fazendo um bom trabalho nessa área;
c) acreditam que é possível conciliar preservação com crescimento econômico;
d) portanto, não estão muito preocupados. Podem ocupar-se em outros assuntos. Isso talvez explique a queda do tema meio ambiente entre as “prioridades”. Desde a década de 70, os norte-americanos somente voltaram a engajar-se com temas ambientais quando o governo deu sinais de que não priorizava o assunto, como ocorreu na administração Reagan. No seu governo, o meio ambiente chegou a ser a quinta  prioridade.


Isso mostra outra  importante limitação das pesquisas de opinião: elas levantam questões para as quais as pessoas nem sempre preparadas para responder. Robert Mitchell, professor de geografia da Clark University e um dos principais pensadores sobre pesquisas de opinião na área de meio ambiente, acha importante distinguir entre “interesse imediato” por um tema (quanta importância a pessoa atribui ao assunto naquele momento) e “força da opinião” (até que ponto a pessoa acha que o assunto tem importância nacional e está comprometida com ele).


Meio ambiente e partidos
Os norte-americanos parecem  não “priorizar” meio ambiente, mas estão cada vez mais atentos ao desempenho dos partidos nessa área. Parece contradição, mas é verdade. Desde 1971 o Gallup, a Harris e outros institutos perguntam aos eleitores qual partido cuida melhor do meio ambiente. O resultado é sempre o mesmo: Partido Democrata é visto pelos eleitores como o partido que dá mais atenção ao tema. Mas houve uma mudança. Em 1971, o Partido Democrata ganhava do Republicano por 23% a 15%. Outros 42% achavam que ambos os partidos davam a mesma atenção ao meio ambiente e 20% não tinham a menor idéia. A cada nova eleição, o número dos que acham que os partidos dão a mesma atenção ao tema vem caindo. Os que respondem “não sei” também. Uma redução drástica. O Partido Democrata continua ganhando do Republicano, atualmente por 50% a 36%. Mas hoje apenas 8% dos eleitores acreditam que ambos os partidos dão a mesma atenção ao meio ambiente. Apenas 6% não têm opinião a respeito. De cada 100 eleitores, 86% estão convictos de que o seu partido é o melhor na área de meio ambiente. Por que tanta atenção para um assunto que seria pouco importante?


As pesquisas sobre meio ambiente nos Estados Unidos não permitem afirmar que meio ambiente dá voto. Mas também mostram que não se pode interpretar os resultados de uma maneira literal. Os norte-americanos querem que o meio ambiente seja prioritário para seus governantes, ainda que ele não apareça como uma das principais preocupações no momento da eleição. Eles partem do pressuposto que cuidar do meio ambiente é uma obrigação dos políticos.
Talvez essa seja uma lição para nós. No Brasil as pesquisas também parecem indicar que meio ambiente não dá voto. Poucos candidatos dão importância para o tema nas eleições. Temos que questionar isso. Precisamos de mais pesquisas, de pesquisas mais sofisticadas.

Amda lança 21ª Lista Suja

10 de fevereiro de 2004

        Este ano, o processo de composição da lista iniciou-se com a divulgação via Portal da Amda <www.amda.org.br> e do jornal Ambiente Hoje, publicado pela entidade, solicitando sugestões à sociedade para compor a pré-lista. A Amda recebeu aproximadamente 50 sugestões que, após uma triagem, foram reduzidas para 16 fatos de degradação. A… Ver artigo

   

 

 

Este ano, o processo de composição da lista iniciou-se com a divulgação via Portal da Amda <www.amda.org.br> e do jornal Ambiente Hoje, publicado pela entidade, solicitando sugestões à sociedade para compor a pré-lista. A Amda recebeu aproximadamente 50 sugestões que, após uma triagem, foram reduzidas para 16 fatos de degradação. A tradicional Lista Suja é divulgada anualmente, durante as comemorações da Semana Mundial do Meio Ambiente, primeira semana de junho.

Lista Suja 2002

1 – Sonegação de informações à sociedade/agressão a parques estaduais/contratações ilegais/sabotagem à polícia florestal autor: José Luciano Pereira, diretor geral do IEF.

Para a Amda, o sr. José Luciano Pereira só fornece informações, que são garantidas pela Constituição à sociedade, através de mandato de segurança. Além disso, desde que ganhou o órgão de presente, conforme anunciou em seu discurso de posse, decidiu que o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) não existe. Assim, ignora o colegiado que tem a responsabilidade de definir a política ambiental em Minas.

2 – Ruptura de barragem de contenção de rejeitos – Mineração Rio Verde

A barragem rompeu-se em função do descaso da empresa com aspectos técnicos de construção e manutenção. A ruptura da barragem, além de mortes humanas, causou danos ambientais irreversíveis.

3 – Desmantelamento do Codema/cumplicidade com a especulação imobiliária – Prefeitura Municipal de Brumadinho

A prefeitura substituiu conselheiros do Codema, que representavam a sociedade civil e câmara de vereadores, é omissa em relação à conservação de estradas que geram erosão e é cúmplice da especulação imobiliária clandestina. Brumadinho está inserido na Área de Proteção Ambiental da Região Sul (APA-Sul) e no Parque Estadual da Serra do Rola Moça.

4 – Derramamento de óleo no litoral – Petrobras

O acidente ocorrido na Baia da Guanabara, e todos os outros que o precederam, não foi suficiente para que a Petrobras tomasse as providências necessárias para impedir outros. Continua sendo rotina o derramamento de óleo no litoral brasileiro, seja por navios da empresa, seja por dutos, como aconteceu em maio último em Angra dos Reis (RJ). O ecossistema litorâneo é um patrimônio ambiental dos os brasileiros.

5 – Nestlè – Desobediência às leis ambientais e degradação ambiental no Circuito das Águas.

Conforme denúncia enviada por diversas ONGs do Circuito das Águas, a Nestlè, em meados dos anos 90, comprou o Parque das Águas de São Lourenço, adquirindo o direito de explorar e engarrafar as águas. A partir daí, foi responsável por diversas agressões ambientais na região:

— Ampliação da fábrica em 300%, cortando árvores dentro do parque, sem licença ambiental.

— Construção de uma "muralha" para proteger a fábrica, cravando estacas de concreto a sete metros de profundidade sobre a área mais sensível do parque, também sem licenciamento.

— Perfuração de poço tubular sem autorização do DNPM e descoberta de uma água mineral espetacular, provavelmente a mais mineralizada do País! A empresa está desmineralizando a água, o que está causando grande revolta na comunidade.

As ONGs, com base em documentos técnicos, acusam a Nestlè por:

a – Ameaça de esgotamento da fonte magnesiana, uma das mais procuradas pelos visitantes

b – Trincas na fonte ferruginosa c – Rachaduras no solo

d – Alteração no sabor das outras fontes

e – Perda de gás natural das outras fontes

f – Enriquecimento ilícito

g – Violação do subsolo

h – Atropelamento de nossa cultura

i – Desprezo pela história

j – Ameaça à ordem econômica de toda cidade

6 – Lagoa de rejeitos com graves danos ambientais – Mineração Morro Velho

Denúncia recebida do gabinete do deputado Édson Rezende (PT-MG), em função dos danos infringidos aos trabalhadores nas minas, que foram contaminados por silicone. Também pela criação de um lago de rejeitos, onde antes era um vale.