PETER BRANDT - NATURALISTAS VIAJANTES

O leal companheiro de Peter Lund

16 de agosto de 2013

Em Minas, Peter Brandt encontra, mesmo tarde, a paz e o reconhecimento que tanto precisava

"Brandt foi o companheiro de solidão de Lund no sertão mineiro, desde que se encontraram em Curvelo, em 1835. Em tempos recentes, sua importância como artista e ilustrador científico tem sido reavaliada e revalorizada. "

 

 

 

 

 

Uma procissão em Lagoa Santa

Casa d’Água: fotografia feita por Warming, por volta de 1865, do abrigo para o veleiro de Brandt.

 

Brandt chega ao Rio. Mas seu destino era outro

Peter Andreas Brandt (1792-1862) nasceu na Noruega no período conturbado da formação europeia. Nações se uniam e se dividiam a toque de caixa. Era a ‘Europa fervilhante’, evitada por Lund. Noruega e Dinamarca foram unidas por vários séculos e, após a separação e a guerra com a Inglaterra, a Noruega se uniu à Suécia. Formaram um reino até 1905, quando pacificamente deram origem aos países conhecidos modernamente. 

 

A família Brandt era originária de Hamburgo, na Alemanha e Peter Andreas, o 12º de quatorze filhos, nasceu em meio a essas mudanças. Casou-se em 1814 com Wilhelmina Lossius, com quem teve três filhos e uma filha. A filha, Wilhelmina Brandt (1827-1915), nunca se casou e seu interesse familiar levou-a a tornar-se a primeira pesquisadora genealógica profissional. Seu trabalho foi tão valorizado que recebeu pensão estatal a partir de 1895 e, por ele, sabe-se que um irmão de sua mãe residia no Chile, possível motivo da vinda de Peter Brandt para a América do Sul. 

 
Primeira revista ilustrada
Em seus delírios empreendedores, Brandt comprou uma prensa litográfica altamente moderna para o lançamento da primeira revista ilustrada na Escandinávia. Levantou recursos por meio de empréstimos pessoais e avalistas. Mas os credores não tardaram em tentar reaver seus investimentos. 
O apavorado e falido Brandt escolheu a saída pelo porto marítimo, menos definitiva que a outra opção. Seu cunhado Nicolai Lossius saíra de casa na juventude e havia dado notícias tempos depois que morava em Valparaíso, a serviço da marinha chilena.
 No final de 1834, Brandt chega ao Rio de Janeiro e escreve ao cunhado em busca informações, com o plano de viajar ao seu encontro. O calor do verão o incomoda e o acaso colocou um dos irmãos de Peter Claussen em seu caminho. 
Certamente Brandt tomou conhecimento da expedição de Lund, pois em carta para um amigo na Noruega, explicaria mais tarde: “(…) mais forçado pela situação que por vontade própria (…)” [viajou para Minas] “(…) onde, como desejava, encontrei-me com o Doutor Lund de Copenhague, que, com propósitos científicos e apoiado pelo Príncipe Christian, viajou por essa província e por outras vizinhas (…)”.  
Quando finalmente as notícias do Chile chegaram ao Rio, Brandt já estava com o Doutor Lund, em Minas Gerais. 
 
Companheiro na solidão do sertão
Brandt foi o companheiro de solidão de Lund no sertão mineiro, desde que se encontraram em Curvelo, em 1835. Em tempos recentes, sua importância como artista e ilustrador científico tem sido reavaliada e revalorizada. Uma mente irrequieta e uma obstinada tendência para novos e incertos empreendimentos retardaram o florescimento de suas inclinações artísticas e o ego combalido pelos reveses econômicos levaram-no a buscar um confortável lugar à sombra do Doutor Lund.
 
 
Crânio de chacal da gruta: Prancha XIX de
Olhar sobre o mundo animal do Brasil.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Besouros por Lund:  desenho mantido pela família Lund. Exemplo da habilidade de Peter Lund como desenhista e ilustrador de ciências naturais.
 
 
 
 

 
Raspador de pedra. Desenho a lápis de Brandt para ilustrar um pequeno tratado de Lund, enviado para a Europa com uma coleção de ferramentas de pedra.
 
 
 
 
 

 
 

Ossos de um macaco que Lund considerou aparentado com os saguis e denominado por ele  “Protopithecus brasiliensis”,  que significa ‘o primeiro macaco do Brasil’.

 

 

 

Lund contrata e orienta Brandt para suas ilustrações

As pinturas de Brandt e a riqueza de detalhes demonstram técnicas sofisticadas do uso de tintas e conhecimento de artifícios que realçam o objeto alvo. 

 
Seu verdadeiro talento nunca foi considerado por ele como atividade profissional. Antes do advento da fotografia, a arte da ilustração era muito valorizada. Cientistas, militares e diplomatas estudavam desenho técnico ou freqüentavam cursos de ilustração científica em universidades ou escolas militares. A precisão dos mapeamentos realizados por Brandt nas cavernas mineiras revela conhecimento de técnicas possivelmente militares. O próprio Lund era excelente ilustrador, mas ilustradores científicos eram contratados em expedições para que os cientistas pudessem se dedicar exclusivamente à pesquisa. Lund optou por contratar e orientar Brandt nas ilustrações.
 
“Pintura dos Selvagens” ilustra a primeira referência científica sobre pinturas rupestres. 
De bom humor, insere a si mesmo, de costas, na ilustração.
 
 
Pintura de Brandt com vista de Lagoa Santa e a Serra da Piedade ao fundo
 
 
As ilustrações de Brandt para os tratados de Lund “Sobre Grutas em Pedras Calcárias” (1836) e “Olhar sobre o Mundo dos Animais do Brasil” (1838-1846) são magistrais. Os tratados foram publicados em revistas científicas internacionais. Sua representação “Pintura dos Selvagens” ilustra a primeira referência científica sobre pinturas rupestres e, de bom humor, insere a si mesmo, de costas, na ilustração. Em carta, assume que retomou seu gosto pela pintura de forma completamente natural. Suas pinturas demonstram técnicas sofisticadas do uso de tintas e conhecimento de artifícios que realçam o objeto alvo. A riqueza de detalhes impressiona e sugere o uso de lente de aumento na execução ou de um prisma, que refletia a projeção tridimensional sobre o papel.
A importância da precisão nas ilustrações científicas é ainda maior pela fragilidade de alguns ossos, que às vezes se desintegravam ao toque ou que poderiam ser danificados pelas condições severas do transporte por tropa. Naufrágios na travessia para a Europa também teriam de ser considerados. Não haveria oportunidade de reposição, se perdidos. Assim registrados, estudos posteriores ainda poderiam ser efetuados. 
A aparência ingênua nas ilustrações científicas de animais exóticos é explicada pelo fato de serem quase sempre representados a partir de indivíduos empalhados pertencentes a museus. Os desenhos de Brandt para os tratados de Lund foram enviados para Copenhague com grande cuidado, através do Consulado do Rio de Janeiro. Depois de utilizados, a família Lund os transferiu para a Biblioteca Real, onde se encontram atualmente.
 
 
Resgate do nome de PETER BRANDT
 
Brandt faz uma bela ilustração da Lapa do Mosquito: verdadeira aula da história da espeleologia.
 
 
Peter Lund adorava a elegante caligrafia de Brandt, que copiava os tratados e os preparava para impressão. Brandt não assinava seus trabalhos e seu nome não é citado nos tratados como colaborador. Somente em 1867 o zoólogo Reinhardt, colaborador e visitante eventual do refúgio mineiro de Brandt e Lund, resgata o nome do artista ao mencionar em um artigo “o fiel companheiro e colaborador do Doutor Lund, Peter Andreas Brandt, que faleceu no ano de 1862”. 
Em 1875, em seu próprio tratado sobre os “Peixes do rio das Velhas”, Reinhardt nomeia uma espécie como Serrasalmo brandtii, em homenagem ao amigo que o presenteara com seu Caderno de Esboços, em uma de suas visitas a Lagoa Santa. 
Comprado no número 89, da Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro, como mostra a etiqueta, o caderno é uma coletânea de estudos, anotações e ilustrações completas. Contém, entre outros acepipes, os mapeamentos de várias grutas, paisagens, a Fazenda Porteirinha, a Lapa Vermelha destruída em 1980 por uma fábrica de cimento, uma procissão em homenagem a Nossa Senhora da Saúde de Lagoa Santa, a praça principal de Santo Antônio do Curvelo, o interior da Gruta do Maquiné e a Praça da Constituição em Sabará. 
Na ilustração da Lapa do Mosquito, Brandt insere elementos como o caldeirão ao fogo suspenso por um tripé, barris, archotes,  bruacas para transporte de ferramentas e alimentos, arreios, peneira para separar fragmentos de ossos, as varas para avaliação da altura das grutas e as mulas da tropa. 
 
Exploração de grutas
É uma aula de história sobre os equipamentos utilizados na exploração das grutas. Poucos sabem que o café preparado pelos tropeiros não era coado. À água fervente adoçada com rapadura era adicionado o pó, que decantava pela imersão de uma pedra aquecida ou mesmo de uma brasa da fogueira. Certamente o café tomado por Lund e seus auxiliares, retratados à mesa de refeições na pintura, foi preparado assim.
Enquanto exercita suas habilidades como ilustrador, a mente de Brandt se aquieta e Lund escreve entusiasmado para o irmão Henrik: “(…) uma alma mais dócil, carinhosa, honesta e confiável, se a escolha fosse dada a mim, eu dificilmente teria encontrado, por mais que procurasse, alguém que demonstrasse ao menos uma tão completa devoção a meu serviço como ele continuamente tem demonstrado”. 
Com o término das explorações nas grutas e o envio da coleção para a Dinamarca, a dualidade de sentimento de Lund causada pela inconstância de Brandt transpareceria em suas correspondências. 
Nem todos os seus projetos eram desastrados, apesar de descabidos. Um em especial coloriu as águas da lagoa e trouxe muitas alegrias ao Doutor Lund: a ‘Casa d’Água’, uma casa de madeira de dois andares construída sobre palafitas na margem do lago. 
A parte de baixo servia como ancoradouro para o seu barco a vela, o ‘Galathea’, – mesmo nome do navio de pesquisas científicas dinamarquês – e o andar superior era um quarto para uma providencial soneca. O batismo do barco foi ocasião de festa cívico-religiosa, com participação de pessoas importantes da comunidade e do padre, que aspergiu água benta e abençoou a embarcação. Era a tolerância religiosa no sertão, harmonia de mentes esclarecidas. 
Peter Brandt e Doutor Lund costumavam velejar pela lagoa e ambos se deleitavam com a tranquilidade e a beleza que encantara Reinhardt e alguns anos depois, também cativaria o jovem Warming.
 
Dívidas que perseguiam
Brandt nunca aprendeu a falar português direito e sua falta de disposição para investir no aprendizado da língua é sinal que sempre acalentou planos de voltar para a Europa. Premido pelas dívidas antigas e pelas novas contraídas no Brasil, a volta era constantemente adiada. Lund comparou a vida de Brandt a um trabalho de Sísifo, sempre rolando suas dívidas crescentes indefinidamente. 
Uma pendenga judicial iniciada por sua esposa contra a Sociedade Científica dinamarquesa mostra insatisfação com os honorários recebidos pelas ilustrações e compromete a concessão de novos auxílios de pesquisa. O estremecido Lund faz acertos com Brandt para mantê-lo no Brasil e socorre os negócios de seus filhos na Noruega. 
 
Visita do filho
Um de seus filhos, Nicolai Brandt, o visita em Lagoa Santa e surpreende Lund com sua inteligência, pois realiza a viagem sozinho, sem conhecimento da língua e das condições locais. O encontro não deve ter sido entusiasmado. Depois Nicolai se radicou em Nova York, casou-se com uma americana e abandonou o sobrenome paterno, adotando o da esposa.  Os negócios dos outros filhos na Noruega também deram pra trás, como uma maldição familiar.
 
PETER BRANDT

A tentativa frustrada de fazer vinho de laranja e as mortes em seqüência dos filhos em 1859 e 1861 deixaram Brandt tão arrasado que Lund desabafou a Reinhardt: “(…) às atrapalhações e prejuízos sem fim, de onde sua inquieta e insaciável energia, que infelizmente se lançou cada vez mais na direção prática, às habituais perdas, que sua falta de sabedoria humana e eternos enganos trouxeram, e, finalmente, às desfavoráveis notícias de sua família. (…) sobre o rabugento desprezo que passou a ser uma característica tão saliente na sua visão da vida, e que freqüentemente me deixava preocupado por uma ou outra ação desesperada (…)”.

Brant adoece no final de 1861 e nem seu otimismo crônico evita sua a morte em 20 de setembro de 1862, aos 70 anos. Em carta, Lund satisfaz a curiosidade de Reinhardt: “Como ele com frequência havia expressado para mim sua repugnância em ser enterrado na igreja, comprei em tempo um pedaço de terra em uma bela região de campo, que fiz murar e cercar com um portão. No meio desse lugar, fiz erguer uma grande e decente cruz de aroeira, que foi consagrada pelo vigário. Em 21 de setembro, domingo de manhã, sua jornada terrestre encontrou lugar, a mais tocante que Lagoa Santa testemunhou, toda a população em massa, sem diferença de posição, idade ou sexo o conduziu para seu lugar de repouso, e desde esse tempo o belo caminho que fiz abrir tem sido um local de passeio preferido dos moradores, que até então não conheciam esse tipo de distração, assim como eu mesmo diariamente caminho até lá e sacrifico alguns momentos ao lado da sepultura do velho e leal companheiro”.
Em carta de 1863 para Eugen Warming, o botânico que veio servir de assistente ao Doutor Lund e ser orientado por ele, Reinhardt sintetiza: “Velho Brandt, coitado! Encontrou tarde a paz de que precisava”. O comentário cala fundo na alma do jovem cientista, que manteve um papel com a citação entre seus guardados.
 
 
Enciclopédia pictórica
Segundo o historiador da ciência russo Boris Komisserov, que estudou as ilustrações da expedição de Langsdorff, “os desenhos de Brandt formam uma enciclopédia pictórica sem igual”. A opinião é partilhada pela historiadora Birgitte Holten, pelo historiador de ciências naturais Michael Sterll e pelo ornitólogo e ilustrador norueguês Jon Fjeldså, autores do livro recém-lançado pela Editora UFMG: “O ARTISTA DESAPARECIDO”. O livro lança alguma luz na vida do misterioso artista e Fjeldså analisa o estilo e as técnicas empregadas por Brandt e avalia sua importância artística. Além de inúmeras ilustrações, o famoso ‘Caderno de Esboços’ de Brandt enriquece o livro, em reprodução fac-símile.
 
 
Croqui de Lagoa Santa feito por Peter Brandt
Brandt faz para Reinhardt um croqui de Lagoa Santa que é um painel da vida de uma cidade do interior mineiro. Vale a pena conferir a descrição que Lund fez do croqui.
 
Carente das novidades e consumido pelas saudades, Reinhardt solicita a Brandt um croqui da área urbana de Lagoa Santa. O esboço, talvez a última ilustração de Brandt, foi enviado para Reinhardt em 1861, acompanhado por uma carta do Doutor Lund. A relação dos habitantes e as informações atualizadas desde a última visita de Reinhardt constituem um delicioso painel da vida de uma cidade do interior mineiro em meados do século XIX. As palavras em itálico estão em português, na carta de Lund. 
 
 
 
 
A    –   Igreja
B    –   Igreja dos negros
1    –   José Marques de Sumidouro, família de bem.
2    –  Foulon. a) estalagem, b) casa de morada, c) rancho. O destino de F. é o que esperava; a carreira dele está terminando, da mesma maneira que todas as anteriores – e como as do futuro, sem dúvida. De um caráter como o dele: Ótimo coração, péssima cabeça e nenhuma força de vontade não era de se esperar outra coisa – especialmente na área prática.
3   –   Joaquim de Oliveira, casado; agente do correio no lugar de Bernardo, este morreu.
4   –   O vigário, acamado há tempos e morrendo.
5   –   O sobrado, habitado pelo sacristão.
6   –   Uma casa construída por Padre Adriano para Dª Jacinta, onde o filho dele, Pedro, tem um negócio.
7   –   Padre Adriano.
8   –   A casa de Bernardo, pertence agora a Antônio Pereira, Procurador em Jaguara.
9   –   Casa onde Camilinho morou antigamente; pertence agora a Antônio Venceslau, primo de Joaquim de Oliveira, negócio.
10  –   A casa de Francisco Henrique, como no seu tempo habitada pela ex-amante e a filha dele.
11  –   Casa das Moças.
12 e 13  – Que você conhece, agora escola, e habitada pelo mestre-escola com a família; ótimas pessoas.
14  –   Casa de seu criado; nenhuma mudança importante desde que você esteve aqui, a única novidade é uma porta de vidro dando ao Patamar no lado do beco, e protegido por uma grade igual àquela no lado da praça.
15  –   A sogra de Felisbertinho, vizinha tranquila.
16  –   Pertence a Fonseca.
17  –   Sobrado construído e habitado por ele, negócio.
18  –   A casa de morada anterior de Fonseca; vendida e habitada por Bernardino Sodré, negócio. F. subiu na vida desde o seu tempo e agora faz parte dos figurões.
19  –   Antônio Teixeira Tapera.
20  –   Sobrado construído e habitado por Felisbertinho, negócio.
21  –   Caza do Buraco; pertence a Dª Josefa, que mora nesta casa e mandou consertar a fachada.
22  –   Inabitada. Pertence a Dª Maria do Brumado.
23  –   Maricota; Joaquim de Mattos, filho de Belquior, tem um negócio.
24  –    João da Costa, agora um certo Eduardo de Stª Luzia.
25  –   Dª Carlotta.
26  –   Por partes construída pelo saudoso Manoel Bonito, como o nº 25, habitada por Manoel Teixeira, filho do Comendador, negócio, b) rancho.
27  –   Alferes Feliciano.
28  –   Boteco, reformada; Fouraux e a família; negócio, a juventude está viajando, e isso mais a doença do vigário dão um aspecto vazio e deserto que forma um contraste enorme em relação à temporada de chuva,
o período de treinamento da companhia, quando tocavam música o tempo todo.
29  –   A casa do autor deste plano (e muitos outros) que vai ele mesmo contar as notícias. Fortunato com mulher e filhos vivem bem. Mariano e Venâncio, ambos casados, se portam bem, trabalhando e avançando com a carreta e a criação. Manoel, que no seu tempo trabalhava com Brandt, e desde alguns anos está trabalhando comido no lugar de Chico, também está casado.
 
MIGUEL FLORI – miguelflori@folhadomeio.com.br