Fórum Internacional Petróleo

O Petróleo, a mídia e a cidadania ambiental

1 de abril de 2004

A Revista Imprensa reuniu empresários, ambientalistas e jornalistas na FIEB – Federação das Indústrias da Bahia, para aprofundar o papel de cada um na construção da cidadania ambiental

 



 







Acima, Sinval de Itacarambi Leão, da Revista Imprensa, fala no encerramento do encontro. À esquerda, o jornalista Washington Novaes e à direita, Cláudio Langone, do MMA, durante suas apresentações

Profissionais especializados, das diversas áreas empresarial, governamental e não governamental levaram experiências importantes para uma platéia sedenta de informações e soluções para os grandes problemas gerados pela indústria petroleira. A Petrobras demonstrou um alto nível de preocupação com a política ambiental, abriu suas informações para jornalistas e ambientalistas e demonstrou a necessidade de apoio das comunidades para ir em frente com seus projetos, adotando ações ambientais preventivas para não causar grandes impactos e ter uma boa imagem junto aos formadores de opinião.


Julio Rocha


Para o gerente do Ibama na Bahia, professor Julio Rocha, a construção da cidadania ambiental está diretamente ligada com o compromisso social de preservação dos recursos naturais. Rocha ressaltou o trabalho da imprensa nos últimos anos com as questões ambientais, a forma como os veículos de comunicação vêm desenvolvendo as coberturas do dia a dia e destacou o trabalho de jornais, como a Folha do Meio Ambiente, que tem um compromisso de levar informações sérias e muito bem conectadas à realidade, sempre com um viés de educação ambiental.


Washington Novaes


Washington Novaes, escritor, jornalista e pioneiro na cobertura e crônica ambiental na imprensa brasileira, foi o conferencista do painel “Biodiversidade e Biotecnologia”. Com a autoridade de quem foi consultor do Primeiro Relatório Brasileiro para Convenção da Diversidade Biológica, dos Relatórios sobre Desenvolvimento Humano da ONU, de 1996 a 1998, e sistematizador da Agenda 21 Brasileira – bases para discussão, a palestra de Novaes chamou a atenção pelo conhecimento e pela profundidade com que abordou os temas: a perda da diversidade biológica, os limites do uso dos recursos naturais, o processo de desertificação do planeta e a necessidade de criação de uma massa crítica a partir do compromisso pessoal de cada profissional.


O jornalista Washington Novaes chamou atenção para alguns graves dados sociais como: metade da população do planeta ainda vivendo abaixo da linha da pobreza. “Há projeções para 2050 de uma superpopulação na Terra que deve chegar a nove bilhões de habitantes. Hoje, o nível de consumo já está maior do que a capacidade de sustentação e de reposição da biosfera. Imagina no próximo século?, advertiu o jornalista.


“As pessoas precisam ter consciência de que elas não são apenas cultura, elas são natureza também. E a natureza não é apenas alguma coisa a serviço da espécie humana, pois todos somos, apenas, mais uma entre milhões de espécies que estão por aí”, concluiu Washington Novaes.


Amaury Soares


Para o diretor da TV Globo Internacional, jornalista Amaury Soares, a cobertura da imprensa com relação ao meio ambiente está focada nas grandes catástrofes. Amaury trouxe de Nova Iorque uma vasta pesquisa sobre coberturas jornalísticas em relação ao petróleo realizadas por jornais e TVs internacionais, dando em detalhes as primeiras coberturas do vazamento do Exxon Valdez, no Alasca. Mostrou grandes vazamentos de óleos por grandes empresas petrolíferas e analisou muito bem todo tipo de notícia que é veiculada para a formação da opinião pública.


Deixou perguntas importantes para o auditório: por que a indústria petrolífera se preparou muito para a produção e pouco para a segurança? Por que nos países onde há liberdade de imprensa é maior os casos de derramamento de óleo? E por que nos países árabes, onde está a maior produção, parece não existir nenhum desastre ambiental com o petróleo?


Sinval de Itacarambi


Para o diretor da Revista Imprensa, Sinval de Itacarambi Leão, o encontro foi uma grande oportunidade de provocar junto a jornalistas de veículos nacionais e internacionais, ambientalistas, ONGs, cientistas e empresários, o papel de cada um na construção de uma nova mentalidade sobre os problemas ambientais.


Segundo ele, o delicado equilíbrio entre desenvolvimento energético, reclamado pelo País, e a proteção e cuidado com o meio ambiente, são indispensáveis à sociedade moderna. Cada um dos segmentos convidados para participar do evento “Petróleo, Meio Ambiente e Imprensa”, tem um papel importante para a mudança da mentalidade atual sobre as questões ambientais.


“Não há mudança ambiental sem mudança de comportamento e não há mudança de comportamento sem apoio da mídia. O homem, como as empresas não nascem nem extremamente predadoras e nem extremamente ambientalistas. Um e outro comportamentos afloram de acordo com a consciência das pessoas, dos executivos e do padrão de qualidade de vida que buscam para si e para a sociedade”, ressaltou o jornalista Itacarambi, no encerramento do Fórum.

Petróleo

Brasil discute a gestão das indústrias de petróleo e a sua responsabilidade social

29 de janeiro de 2004

Meio ambiente foi tema na pauta de debates do 17º Congresso Mundial de Petróleo,


Todas as indústrias, centros de pesquisa e comércio ligado ao setor do petróleo do mundo inteiro se encontraram no Rio de Janeiro, entre 1ª e 5 de setembro, para debater o desenvolvimento de novas tecnologias que aumentem a produtividade das empresas petrolíferas e permitam o desenvolvimento sustentável dos povos. Foi o 17ª Congresso Mundial de Petróleo, o mais importante evento mundial do setor. “Pela primeira vez, a indústria petrolífera debateu a responsabilidade das empresas de petróleo no gerenciamento de seus negócios, visando promover o desenvolvimento sustentável da sociedade”, afirmou o presidente da Petrobras, Francisco Gros, que também é o presidente do Comitê Nacional Brasileiro do Congresso Mundial de Petróleo.
Dos quatro blocos do Congresso, um foi dedicado ao debate da responsabilidade social corporativa. Além de seis fóruns, dez sessões e três apresentações técnicas, este bloco apresentou a plenária “O Negócio Petróleo e a Responsabilidade Social: Ganhando Reputação e Construindo Competitividade”, com vários conferencistas: Rilwanu Lukman, presidente da Opep, Egyl Myklebust, presidente da Norsk Hydro e SAS, e Abdallah S. Jum’ah, CEO e presidente da Saudi Aramco. A plenária foi presidida por Eleazar de Carvalho Filho, presidente do BNDES. Houve ainda um debate, com a presença da primeira-dama do Brasil, a antropóloga Ruth Cardoso, onde se discutiu as questões estratégicas da indústria petrolífera e o desenvolvimento sustentável.


Participação das ONGs
Para aprofundar a discussão, paralelo ao evento, houve um evento específico: a Arena de Responsabilidade Social do 17º Congresso Mundial de Petróleo.
Parceiros da indústria do petróleo e da sociedade civil, representada por ONGs, apresentaram seus projetos e ações na área da responsabilidade social e promoveram o debate do assunto em mesas-redondas, palestras e talk shows.
Mais de três mil executivos de 100 países participaram da 17ª edição do Congresso Mundial de Petróleo.