Ponto de Vista

PAZ, CLIMA E AMBIENTE

24 de outubro de 2007

As lições de Al Gore e do IPCC sobre os riscos do aquecimento para a humanidade.

Al Gore,  premiado em 2007, assim como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU, e seu presidente, o indiano Rajendra Pachauri, prestaram um relevante serviço à paz ao se dedicarem ao tema das mudanças climáticas como potencial desencadeador de conflitos.
Al Gore, por meio do documentário “Uma verdade inconveniente”, ganhador do Oscar, e o IPCC por meio de seus relatórios, comunicaram para o grande público os riscos a que a humanidade está exposta.
Perceber que a guerra é a mais anti-ecológica das atividades humanas, pois destrói não somente as vidas humanas, mas a vida animal e vegetal, bem como polui e contamina  os ecossistemas, é um primeiro passo para levar à consciência de sua inviabilidade.
A escravidão somente foi abolida quando, além de indesejável para os planos comerciais das metrópoles, pois o assalariamento dos ex-escravos poderia gerar um mercado consumidor,  tornou-se insuportável na consciência social.
Assim também, a guerra e a agressão ao ambiente somente serão abolidos quando se tornarem psicologicamente insuportáveis e quando se expandir a consciência sobre seus custos e riscos. 
Num contexto em que é crescente a pressão sobre os recursos naturais, sendo também crescente o risco de conflitos e da propagação da violência entre sociedades e grupos sociais, relacionadas com o acesso e uso a tais recursos, a disseminação de valores humanos construtivos será um elemento essencial para promover a harmonia e da paz social e com a natureza.
A Unesco já reconhecia a necessidade de trabalhar a paz dentro de cada pessoa quando adotou a seguinte frase como introdução ao ato que a constituiu: “Se as guerras nascem no espírito dos homens, é nos espíritos dos homens que devem ser erguidos os baluartes da paz.”
 Programas de educação para a paz retomam noções presentes em antigas tradições, como por exemplo, a noção indiana de “ahimsa”, que tanto pode ser traduzida como ‘não violência’ ou “ausência de falta de amor”.
Tal princípio, aplicado nas estratégias não-violentas de resolução de conflitos, foi usado pelo Mahatma Gandhi na resistência passiva contra os ingleses, que culminou na independência da Índia, em 1947.
Uma cultura de paz com a natureza implica em reconhecer os crescentes riscos e ameaças à segurança individual e social representados pelos desequilíbrios ambientais e pelas mudanças climáticas. No contexto da educação para a paz e para o meio ambiente, existem várias iniciativas. Uma delas, criada por Pierre Weil na UNIPAZ-DF é “A arte de viver em paz”. Distingue três aspectos do tema: a paz consigo mesmo, com os outros e com a natureza.
Mostra como nasce a guerra no espírito do homem e apresenta métodos para o despertar e para  o desenvolvimento da paz interior, no corpo, no coração e no espírito. No segundo aspecto, denuncia a normose  contemporânea e apresenta os processos de educação social, cultural e econômica pela paz.  No que se refere à paz com a natureza, trata do homem como parte dela e defende a necessidade de uma pedagogia ecológica.


(*) Autor de Ecologizar, pensando o ambiente humano e de Tesouros da Índia para a civilização sustentável.
mandrib@uol.com.br 
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