Ponto de Vista

Mineração e Meio Ambiente

20 de julho de 2011

A Presidenta Dilma Rousseff, os mineiros e os minérios

Com números incontestáveis, chegaram a dados que, em outros países, mobilizariam protestos nacionais. Por exemplo: na cadeia produtiva do ferro, a mineração gera apenas 100 empregos por mil toneladas de minério extraído e exportado. Se esse minério fosse beneficiado em mil toneladas de aço aqui, pela siderurgia nacional, geraria 4 mil empregos. Em 2008, foram exportadas 282 mil toneladas de minério de ferro, gerando US$ 16 bilhões transformadas em 170 mil toneladas de aço. Com esse minério exportado e transformado em aço lá fora, chegamos a 680 mil empregos exportados. Isso é verdadeiro crime contra a nação e seu povo.


 


Sebastião Nery: “Se esse minério fosse beneficiado pela siderurgia nacional, geraria 4 mil empregos. Em 2008, foram exportadas 282 mil toneladas de minério, gerando US$ 16 bilhões, transformadas em 170 mil toneladas de aço. Com esse minério exportado e transformado em aço lá fora, chegamos a 680 mil empregos exportados. Isso é verdadeiro crime contra a nação e seu povo”.


 


 



 “Ao lado da luta pela criação de um “Marco Regulatório do Minério”, para que ele se transforme numa base industrial do País, está a luta concomitante e inadiável pela defesa do meio ambiente”.






Marco Regulatório


A maior parte do minério extraído no Brasil e principalmente em Minas Gerais – o maior Estado produtor, responsável por 75% da produção nacional e 15% da produção mundial – tem como destino a exportação “in natura”, indo desenvolver a indústria em outros países e gerar emprego e renda mundo afora. Isso é ir na contra-mão do desenvolvimento nacional. É uma visão ultrapassada exportar minério “in natura” e depois comprar muitas vezes mais caro o mesmo produto transformado em bobinas de aço.

O estudo aponta ainda que vamos triplicar nossa extração nos próximos 20 anos. Dentro dessa política, iremos apenas aumentar nossa extração mineral ou vamos criar o “Marco Regulatório do Minério”, defendendo nossa riqueza natural, desenvolvendo nossa indústria, gerando emprego e renda para a população brasileira? Minério só dá uma safra.


Empresas exportadoras de minério de ferro “in natura” anunciam hoje lucros estratosféricos, maiores até mesmo que os da Petrobras. Ora, a Petrobras não vende petróleo, vende gasolina, óleos, lubrificantes, entre vários outros produtos, tudo beneficiado aqui dentro, ou seja, gerando emprego, desenvolvendo a indústria nacional, dinamizando nossa economia, tornando-se referência mundial e orgulho nacional. E nós ficamos apenas com o buraco enorme e sem volta dos minérios.


A cada 21 de abril comemoramos Tiradentes. Os Inconfidentes imaginaram um novo país, soberano, dono de suas riquezas, senhor de seus atos. Uma nação livre, próspera, nada servil. Por esse sonho, foram perseguidos, presos, julgados e condenados. Venceu o colonizador, perdemos todos nós. A luta era pelo direito do povo da colônia às suas riquezas, ao ouro e seus minerais. O ouro de outrora é o minério de ferro de agora, quando somos diariamente dilapidados pela simples extração e exportação, fazendo a riqueza de outros países e deixando para nós a poeira do solo e da história.



Revisão dos royalties


A presidenta Dilma Rousseff, como boa mineira, sabe que a luta de hoje começa pela revisão dos royalties, corrigindo erros em anos e anos de equívocos e submissão. Mas a revisão dos royalties é apenas o primeiro passo nesse processo, que deve destinar a riqueza natural ao financiamento do desenvolvimento nacional, completando o sonho de Tiradentes e acabando com a espoliação em Minas e no Brasil. Ao lado da luta pela criação de um “Marco Regulatório do Minério”, para que ele se transforme numa base industrial do País, está a luta concomitante e inadiável pela defesa do meio ambiente.


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