Responsabilidade histórica

Carta ao Presidente Lula

28 de fevereiro de 2008

A preocupação de D. Pedro era com o ouro das Minas Gerais. O transporte do ouro seria pelo rio São Francisco, como foi até 1892. Para torná-lo navegável contratou o engenheiro alemão Guilherme Halfed (1851), o engenheiro mecânico francês Henrique Dumont (1867), o engenheiro Carlos Virauss (1868), o engenheiro inglês Millner Roberts (1879) e o… Ver artigo

A preocupação de D. Pedro era com o ouro das Minas Gerais. O transporte do ouro seria pelo rio São Francisco, como foi até 1892. Para torná-lo navegável contratou o engenheiro alemão Guilherme Halfed (1851), o engenheiro mecânico francês Henrique Dumont (1867), o engenheiro Carlos Virauss (1868), o engenheiro inglês Millner Roberts (1879) e o geólogo francês Orville Derby (1880). Estes dois últimos escreveram duas obras que são até hoje por nós consultadas. Nelas, aconselhavam, já antes da produção de energia elétrica, só pensar em transposição do rio com a interligação do Tocantins.
Em 1972, realizando trabalhos em Sobradinho, eu fui procurado por um engenheiro militar, capitão Meyir, sobre um estudo que o governo militar realizava para conhecer a possibilidade de interligação da bacia do Tocantins com a do São Francisco, queria informação sobre bases geodésicas implantada pela SACS. Assim, vimos da impossibilidade prática da transposição.
Companheiro Lula, aproveitando da sua ingenuidade, referente aos interesses do complexo industrial e portuário do PECEM, vemos que o enganaram com essa história de água para pobres. Nem o rio Parnaíba, nem o rio São Francisco e nem o rio Amazonas conseguiram acabar com a pobreza. Além do mais, a água não vai para o mar. Vai gerar energia que será tirada da boca das turbinas de Itaparica, Moxotó, PA-4, PA-3, PA-2, PA-1. E para Xingó. Isso mesmo, companheiro, para gerar 2×106 KV de eletricidade. Com a transposição, vamos não só deixar de gerar energia, mas ainda perder 106 KV.  O baixo São Francisco (Sergipe e Alagoas) que é maior que a Coréia do Sul, vão morrer com a salinização de suas águas. 
Além do mais, companheiro Lula, 127m3 de água mata a sede por tempo curto. E, depois, como fazer? E meu povo de cá do Itapicuru, Vazas Barris, Salitre, rio Verde, Jacaré, rio do Peixe e etc como ficam?  Teremos de nos contentarmos em sermos pobres com os rios secos e não termos a oligarquia do Ceará para exigir. Pois é, companheiro, Lula, esta carta tem uma finalidade histórica: amanhã ninguém, nem o senhor, poderá dizer: “eu não sabia”…
 
Cláudio Vianna < laudioyan@hotmail.com > é engenheiro e Bel. em Filosofia, participou da construção de todos os reservatórios  e barragens do rio São Francisco, exceto a de Três Marias


D. Pedro de Alcântara esteve em Paulo Afonso, em 20 de outubro 1859 e nunca prometera nenhuma transposição. Prometeu, sim, que daria o seu anel imperial para acabar com a seca.