SANDRA LOPES

14 de fevereiro de 2011

No meio do caminho tem uma poesia

Talento, emoção e simplicidade são as armas para Sandra Lopes atrair jovens leitores. Vive rodeada de crianças e livros. Além de lecionar, também dinamiza oficinas de leitura para estudantes, professores (rede particular e pública) e para a terceira, ops, melhor idade, pelo projeto PROALFA, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e do Sesc. Os livros de sua autoria estão sempre presentes nestas oficinas. Participa da Sala de Leitura da Rede Municipal do RJ, na Escola Municipal Matta Machado. Mas, seu semblante muda mesmo quando vai ao encontro de seus  meninos do hospital…. onde sempre está presente como Mediadora de Leitura. Brinquedos e brincadeiras, aniversário e sonhos são alguns dos temas abordados pela autora Sandra Lopes.


OBRA – Sua obra literária tomou volume. Cresce a cada ano. Catorze são os poemas que compõem o “Catavento”, onde emoções da infância e adolescência são tratados com sensibilidade e ludicidade. Basta girar o “Catavento” para o leitor ser guiado por alegres e divertidos poemas onde viver o “faz-de-conta” é o real.
Apaixonar pela Cidade Maravilhosa? É fácil! Basta ler o “Convite Carioca”. Em pouco tempo, os poemas de Sandra Lopes abduzem o leitor. Não há quem não declare amor pelo Rio de Janeiro, como aconteceu, aliás, com o norte-americano Alexis Levitin, que fez a versão das poesias de Sandra para o inglês, e com o ilustrador André Côrtes. Ambos conheceram um Rio que é amor, dor, cor e sabor. Entenderam que cariocas não são apenas os que ali nascem. São também aqueles que ali chegam para incorporar uma maneira de bem viver.
Outras publicações:  “Tuca Cutuca, a Gaivota” e “Azul por Natureza”. E tem novo lançamento: “De Olho no Olho”, com belíssimas ilustrações de Sami e Bill, uma dupla paulista que é a “menina dos olhos do livro”. E da Sandra, claro!
Mais projetos estão no prelo. Vem aí uma coleção de Hai-Kais sobre água, fogo, ar e água. Sandra Lopes, definitivamente, não pára… é movida a poesia. Que bom!



Os dois últimos
lançamentos:
“Convite
Carioca”
e
“De Olho no Olho”.


 


Carta de Laura Sandroni à Sandra Lopes
“Sua poesia é feita de palavras simples que expressam sentimentos de alguém ligado à beleza da cidade no seu conjunto: a natureza esplendorosa e as boas interferências do homem no correr dos tempos. Você conseguiu ser original, o que parece  difícil a autores de alguns livros de poesias para  crianças já publicados”.


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No calçadão
Sobre o calçadão ondulado
Num banco sentado,
O poeta observa…
Quem por ali passa, para, senta,
conversa, cumprimenta…
Ele? Nada vê, nada sente, nada escuta.
Será?  Duvido.
Isso é coisa de poeta: se fingir de pedra.


On the sidewalk
Along the undulating sidewalk,
seated on a bench,
The silent poet stares…
Who passes, stops, sits down, converses,
greets another there…
Him? He neither sees nor feels nor hears a thing,
just sits alone.
It?s a poet-thing: pretending to be made of stone.


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Cristo Maravilha
Do alto do Corcovado,
Cara a cara com a beleza,
Me deixo hipnotizar.
É amor a primeira vista,
perco o olhar acostumado,
viro turista.
Esta cidade é mesmo especial,
Cristo saiu do santinho
prá virar cartão postal.
E na hora de posar
assumiu ar carioca
para o mundo abraçar.


The Marvel of Christ
High on Corcovado,
with beauty face to face,
I find myself amazed.
And like a lover loving at first sight,
I lose my normal gaze
becoming now a tourist in delight.
This city?s great, both day and night,
for Christ from a sacred image rose
to grace a picture postcard height.
And at the moment of his pose
a Carioca lokk unfurled:
spreading His arms, He embraced the world.

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Presépio Urbano
À noite ele brilha, o morro.
Pontinhos de luz…
Parece presépio.
O morro adormece.
À noite ele grita, o morro.
De olhos arregalados,
Os meninos Jesus
Acordam assustados.


À noite ele brilha, o morro.


Urban Nativity
The mountain twinkles in the night.
Litttle points of light….
It seems a cradle.
 The ghetto hillside falls asleep.
 The ghetto hillside screams at night.
 Wild, wide-eyed, little baby Jesuses
awake in fright.


The ghetto hillside twinkles in the night.


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Jardim Botânico
Palmeiras perfiladas
formam uma barreira
vigiando a fronteira


Guardam pérolas na água brotadas
entre discos de esmeraldas.
Guardam orquídeas
em rubis desabrochadas.
Guardam joias raras ameaçadas.


Sem trégua as belas sentinelas
pelo precioso jardim zelam.


Botanical Garden
Ranged in perfect order
a straight row of palms,
guards guarding the border.


Protecting in the water gleaming pearls
growing among disks of emerald green.
Protecting orchiks that unfurl
and flower into rubies
Protecting jewls in jeoparddy and rarely seen.


Never resting, those sentinels of splendor,
guarding the garden, tall yet tender.


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HAI-KAIs


Tempo de ipês:
rosa, roxo, amarelo, branco…
O azul do céu perdeu a vez.


Pelo muro desbotado
acácia amarela
escorre o seu dourado.


Ar parado.
Palmeira aproveita
Pra foto se ajeita.